Por dentro da gotinha


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Ao contrário da maioria dos sábados, dia em que quase todos os postos de saúde da cidade estão fechados, hoje o serviço deve ser puxado para os funcionários das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e unidades do PSF (Programa de Saúde da Família). Afinal, 14 de junho foi a data escolhida para a realização da primeira etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Paralisia Infantil 2008. Só no Estado de São Paulo, a Secretaria Estadual de Saúde espera que cerca de 3 milhões de crianças com até 5 anos sejam levadas aos postos de vacinação, o que representa 95% da população nesta faixa etária. A campanha será gratuita e acontecerá das 8 às 17 horas. Escolas e hospitais particulares, entre outros locais, também oferecerão o serviço. Graças as campanhas anuais de vacinação o Estado não registra nenhum caso da doença há 20 anos. Mas a vacinação de crianças continua sendo importante porque o vírus da pólio ainda circula em países da África e da Ásia, o que representa, portanto, uma ameaça à população. Provocada por um grupo de três vírus classificado pela medicina como poliovírus, a poliomielite é uma doença infecciosa que ataca o sistema nervoso e, por isso, em casos mais graves, pode causar paralisia flácida (atrofia dos membros devido a perda de força muscular) e até levar à morte. A doença não tem cura e a única maneira de evitá-la é por meio das duas gotinhas da vacina Sabin (nome derivado do cientista que a desenvolveu), solução líquida que contém o mesmo vírus da poliomielite, porém, atenuado. “Ele é mais fraco, assim estimula o organismo a produzir as defesas contra a doença sem que ela se manifeste”, explica o pediatra Alberto Costa. A Sabin, porém, é contra-indicada para crianças com o sistema imunológico enfraquecido, como as aidéticas, com câncer e que fazem uso de corticóide (hormônio) em altas doses. A pólio é uma doença altamente contagiosa transmitida por meio da saliva, eliminada durante o beijo, tosse, espirro ou fala. As fezes também têm alto poder de contágio. Se você for atingido por essas gotículas ou levar à boca qualquer objeto contaminado pode ingerir o vírus. “Justamente por isso que a campanha é destinada às crianças. Elas representam o grupo de risco porque vivem com a mão na boca. Mas caso um adulto, que nunca tenha se vacinado, precise viajar para áreas onde existe a doença, também será imunizado”, disse a infectologista Carmen Grijalba. Mesmo podendo se espalhar com rapidez, nem todas as pessoas infectadas desenvolvem a doença. Segundo a especialista, aproximadamente 90% das pessoas que contraem o vírus não manifestam absolutamente nada. Já quando a doença resolve atacar, começa semelhante a um resfriado. A pessoa sente dor muscular e intestinal, febre, diarréia e ânsia de vômito. Ainda assim, em alguns casos, fica só nisso. Tratam-se os sintomas e o vírus é expelido pelo corpo. “De 1% a 2% dos pacientes têm o quadro agravado e sofrem com a paralisia. Este percentual parece pouco, mas se pensarmos que a doença é grave e que deixa seqüelas para toda a vida, mesmo que em poucas pessoas já é motivo de muita preocupação”, disse a médica. CALENDÁRIO VACINAL Todos os bebês precisam ser vacinados obrigatoriamente cinco vezes até que complete 5 anos de idade. Segundo Costa, aos 2, 4, 6 e 15 meses e com cinco anos. “Isso é o mínimo. Mesmo assim, indicamos o reforço da vacinação para todos os menores de 5 anos durante as campanhas”, recomenda o pediatra. A segunda etapa deste ano acontece no dia 9 de agosto.

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