‘Quem vai dar emprego para nós?’


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O trabalhador braçal Celso Jardim quebra pedras com marreta na pedreira próxima a Restinga ontem pela manhã
O trabalhador braçal Celso Jardim quebra pedras com marreta na pedreira próxima a Restinga ontem pela manhã
Desde a última semana, o trabalhador braçal Celso Ferreira Jardim, 47, passa as noites em claro. Não consegue dormir. Sua mulher, a cozinheira Elizabeth Jardim, 42, está preocupada com seu comportamento. Celso, depois de quase duas décadas de trabalho na mesma empresa, não sabe como será seu futuro profissional e pessoal a partir de agosto. Ele é um dos 35 funcionários da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca) que serão demitidos até o fim de julho. A Justiça determinou os desligamentos por eles terem sido contratados sem concurso público. “Esperava sair daqui aposentado. É muito triste o que estamos vivendo”, desabafou. O salário de Celso é de R$ 1,2 mil. Sua mulher ganha R$ 800. Sem saber se terá condições de se manter na cidade, o casal cogita mudar para a zona rural. “Estamos pensando em alugar nossa casa em Franca e trabalhar como caseiros numa roça, pois assim ficaríamos livres das contas de água e energia”, disse Elizabeth. Sem imaginar que Celso perderia o emprego, a família assumiu uma dívida grande. Financiou um veículo Fiesta seminovo. Agora, Celso e a mulher acham que não conseguirão pagar as prestações de R$ 570. Pensam em trocar o carro por um mais antigo. Pela idade e falta de estudos, Celso acha difícil conseguir recolocação no mercado. “Onde é que a gente vai arrumar dinheiro? Ninguém vai querer dar dinheiro pra gente. Não é fácil não”, disse. O trabalhador ainda enfrenta outras complicações. Ele é responsável por uma das tarefas mais exaustivas na pedreira localizada perto de Restinga: a de quebrar pedras com uma marreta que pesa oito quilos. A atividade, desempenhada diariamente das 7 às 16 horas, resultou em problemas respiratórios causados pela poeira e três dedos faturados ao longo da carreira. O motorista de caminhão Sérgio Donizete Morige, 43, também é empregado da Emdef há quase 20 anos. Como Celso, tem problemas de saúde por causa da profissão. “O barulho aqui na pedreira não pára. Perdi 20% da audição. Será que a juíza que pediu nossa demissão agüentaria isso aqui 19 anos?”, questionou. Apesar disso, gosta do emprego e considera a empresa uma família. “Fico mais aqui do que em casa. Foi trabalhando aqui que criei meus três filhos”, disse ele. Sérgio estudou até a 6ª série. Não se sente preparado para prestar concursos públicos e não tem perspectivas de arranjar outro serviço. “Quem é que vai dar emprego para nós agora? Eu só esperava a aposentadoria, mas agora a juíza acabou com o sonho. Estou triste. Minha família também fica sentida”. Sérgio não sabe o que vai fazer depois de ser desligado da Emdef. [FOTO2] O motorista trabalha oito horas por dia e enfrenta sol, chuva e poeira. Recebe R$ 1,3 mil mensais. Com o salário de sua mulher (R$ 500), a renda familiar era de R$ 1,8 mil. Com ele desempregado, passarão a viver somente com o dinheiro dela. SEM ACERTO Para piorar, a Justiça determinou que os 35 demitidos recebam apenas o salário do mês e o saldo do FGTS. Perderão direitos trabalhistas como férias, 13º salário e multa rescisória de 40%. “Tenho quase duas férias para receber e não vou ter direito a nada”, disse Sérgio. Colaboraram Maria Toledo e Marcos Junqueira

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