Com a exceção do delegado João Walter Tostes, que atua no Gaerco, nenhum policial civil de Franca acompanhou a prisão do investigador Nilson Ruela na quarta-feira à noite. Também evitam falar publicamente sobre o fato.
Ontem o delegado seccional quebrou o silêncio. Mesmo afastado por 15 dias devido a um problema de saúde, Maury de Camargo atendeu a reportagem e disse que não sabia das investigações conduzidas pelo Ministério Público e pela Corregedoria de Ribeirão Preto. Foi informado da prisão três horas depois, ao receber uma ligação da diretoria do Deinter. “A Seccional não recebeu cópias da documentação e não posso fazer uma avaliação. O policial não registra antecedentes disciplinares e nunca foi punido. É um fato que nos deixa constrangidos e chateados. Quando eu retornar da licença médica, vou me reunir com o delegado-titular da DIG para a gente avaliar alguma alteração”.
O corregedor Emílio Paschoal, de Ribeirão Preto, afirmou ter acompanhado o caso e que sabia, desde segunda-feira, que o investigador poderia ser preso por exigir propinas de camelôs. “Para nós sempre é um fato lamentável, mas no que tange às nossas atribuições, todo policial que apresente desvio de conduta será penalizado com processo administrativo, com pena de demissão, além de responder no âmbito criminal”.
Paschoal confirmou as informações do Gaerco, de que Ruela recolhia a arrecadação semanal obtida junto aos vendedores de produtos piratas. Disse ser prematuro afirmar se há mais policiais envolvidos no esquema. “Temos dez dias para concluir o inquérito e as investigações continuam. Muitas provas vão ser colhidas. Por hora, há apenas indícios razoáveis e suficientes da participação deste policial autuado em flagrante”, disse o corregedor.
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