O investigador Nilson Roela, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), foi preso em flagrante, ontem à noite, acusado de corrupção. Realizada pela Polícia Militar após intensa perseguição pelas ruas da cidade a prisão foi determinada pelos promotores do Gaerco (Grupo de Atuação Especial Regional para a Prevenção e Repressão ao Crime Organizado) de Franca. Os motivos são mantidos sob sigilo. O Ministério Público se recusou a dar detalhes, sob a justificativa de que a publicidade poderia atrapalhar as investigações. Supostamente, Roela estaria extorquindo empresários, mas esta versão não foi confirmada.
O cerco ao policial civil teve início por volta das 19 horas, quando ele foi flagrado por homens à paisana do serviço reservado da PM portando um pacote com dinheiro no estacionamento de um posto de gasolina da Avenida Hélio Palermo. Viaturas foram avisadas e passaram a persegui-lo. Ele fugiu.
A caçada durou cerca de dez minutos. A bordo de uma picape Strada prata, com placas de Cássia (MG), Nilson percorreu várias ruas da cidade em alta velocidade. Sem saber de quem se tratava, os PMs pediram reforço quase uma dezena de viaturas participou da perseguição. Por duas vezes, Roela tentou escapar do cerco pela Avenida Sete de Setembro.
Seu carro foi interceptado na Avenida Ismael Alonso y Alonso, sentido bairro/centro, diante da concessionária Ortovel. Quando perceberam que era o investigador, os PMs se assustaram. Um dos que participaram da perseguição disse que, após alguns segundos de conversa, Nilson tentou arrancar com o carro. Impedido, teria sacado uma arma que levava na cintura. "Tivemos que dar uma gravata, agarrar sua mão e imobilizá-lo".
Em seguida, o investigador foi arrancado, literalmente, do carro por nada menos que quatro PMs, algemado e colocado dentro de uma viatura. Enquanto isto, promotores faziam buscas no interior da picape. Acompanhados do delegado João Walter Tostes Garcia, apreenderam diversos objetos e um saco plástico repleto de dinheiro. Seriam R$ 3 mil. Toda a ação foi filmada.
Cerca de 40 minutos depois, Nilson foi levado sob escolta por um comboio de viaturas para a sede do MP. Quase duas horas depois, com a chegada de dois integrantes da Corregedoria da Polícia Civil de Ribeirão Preto, o policial, novamente sob escolta e no compartimento de presos de um camburão, foi conduzido para a Delegacia Seccional, Foi autuado em flagrante e seria levado, na madrugada de hoje, para o presídio especial da Polícia Civil em São Paulo.
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Policiais que participaram da ocorrência se recusaram a gravar entrevistas. Os membros do Gaerco pouco falaram e não esclareceram dúvidas.
A reportagem apurou que o investigador vinha sendo monitorado há três semanas e teve as conversas telefônicas gravadas. O Gaerco solicitou que PMs o acompanhassem de perto ontem para realizar o flagrante. Nilson está na polícia há mais de 20 anos e havia sido indicado recentemente para promoção de classe. Não foi possível se aproximar do policial para ouvir sua versão.
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