Aposentado morre à espera de fax para internação


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DOR E DECEPÇÃO - Edma Oscar de Souza, filha do aposentado que morreu no “Dr. Janjão”, e seu filho Kairo Souza observam a foto do casamento dela em que está de mãos dadas com o pai: “Ainda não acredito no que acont
DOR E DECEPÇÃO - Edma Oscar de Souza, filha do aposentado que morreu no “Dr. Janjão”, e seu filho Kairo Souza observam a foto do casamento dela em que está de mãos dadas com o pai: “Ainda não acredito no que acont
Foram cinco horas de agonia, das 10 horas até o meio da tarde da segunda-feira, 9. Tempo suficiente para que um paciente seja consultado em uma Unidade de Saúde, transferido para um hospital, e internado com tranqüilidade. Mas a vida do aposentado Ayres Oscar, 69, morador em Ribeirão Corrente, não foi salva, mesmo com este espaço de tempo. Ele morreu no Pronto-Socorro “Doutor Janjão”, à espera de um fax, que liberaria sua remoção para o Hospital do Coração. Há cerca de 30 dias com um marcapasso implantado junto ao seu coração, Ayres queixava-se freqüentemente de dores no peito, provocadas pelo mau funcionamento do aparelho. Na segunda-feira pela manhã, a situação estava crítica, como declarou Edma Oscar Mariano de Souza, 47, filha da vítima. “Meu irmão trouxe meu pai de Ribeirão Corrente, e o levou ao pronto-socorro. Na consulta, o médico disse que ele precisaria ser levado para o Hospital do Coração”, disse. Não foi. O paciente deu entrada no PS às 10h27. Foi mantido em observação, passando por monitoramento cardiológico. Seu estado era considerado grave, e precisava ser removido com urgência. A secretaria do “Janjão” tomou os procedimentos de praxe, encaminhando por fax o pedido de internação ao Hospital do Coração de Franca. O primeiro fax foi enviado às 12h13. “O fax foi encaminhado 40 minutos depois, recebemos a negativa da internação, com a alegação de que era necessário mais exames”, explicou o secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira. Uma nova solicitação foi feita às 13h16. Desta vez, com as informações adicionais que haviam sido pedidas pelo hospital. Não houve resposta a tempo. Exatamente às 14h48, Ayres teve uma parada cardiorrespiratória. No pronto-socorro, a equipe médica tentou reanimá-lo durante 32 minutos, sem sucesso. Às 15h20, a família recebeu a notícia de seu falecimento. Minutos antes, às 15h08, chegava a liberação para que o aposentado fosse encaminhado ao Hospital do Coração. Era tarde. Uma profunda tristeza tomou conta dos filhos e netos do aposentado. A filha Edma lamenta que a burocracia tenha contribuído para a morte do seu pai. “Pensei que seria rápido. Já vi tantas pessoas falarem sobre parentes que morreram no Janjão, mas nunca imaginei que acontecesse com minha família. Foi uma decepção”, desabafou. A data marca ainda uma triste coincidência para a família. No mesmo momento em que Ayres dava entrada no pronto-socorro, um cunhado morria de câncer. Ambos foram velados e sepultados nesta terça-feira (10), no Cemitério de Ribeirão Corrente. O aposentado deixa mulher, sete filhos e 15 netos, alguns ainda bebês. A filha não se conforma. “Ele não vai ver as netas gêmeas crescerem nem o neto recém-casado”, disse. AS VERSÕES Questionado sobre uma transferência imediata, sabendo do estado do paciente, o secretário Alexandre Ferreira explicou que depende da burocracia para conseguir transferir o paciente. “Apesar das dificuldades, não podemos colocar em risco o paciente e usá-lo para pressionar outros serviços”, disse. Alexandre prometeu levar o caso ao Departamento Regional de Saúde e cobrar da diretora do órgão, Adriana Ruzene, procedimentos mais eficazes para evitar episódios desta natureza. A assessora de comunicação da Fundação Santa Casa, responsável pelo Hospital do Coração, Lyla Crespo, apenas confirmou os horários de recebimento e envio dos documentos. Quanto ao intervalo entre a chegada do pedido de internação e a resposta, período em que o departamento responsável pelas internações analisa as condições do hospital para receber o paciente, apenas foi dito que é o tempo necessário. “Esse é o procedimento. Infelizmente não há nada que possamos fazer”.

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