Vida de modelo


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A modelo francana Vanessa Rezende, de 26 anos, acaba de fechar contrato de um ano com a agência internacional Light MP na Coréia do Sul, China e Japão. Na próxima quinta-feira, dia 19, ela embarca para Seul e depois segue para Xangai. Além de currículo e experiência pessoal, a modelo calcula que o carimbo em seu passaporte ampliará seus rendimentos em pelo menos 50%. Vanessa diz que sua área de atuação é a de modelo comercial, em que corpo, rosto e capacidade de se recriar em personagens para fotografias e campanhas de TV valem mais que a estatura. A sua, aliás, que é de 1m58, está abaixo dos limites impostos pela passarela da alta costura. “A modelo de passarela tem que ser mais alta e a idade é um fator limitante também. Passou dos 23 anos, uma new face não é mais aceita na passarela, com algumas exceções, claro. Mas, para essa área de comerciais não há limite de idade. A Natura e a Dove, por exemplo, contratam modelos com mais de 50 anos. Nesse filão, o que conta é o perfil”, explica ela. Uma breve folheada em seu book mostra que a garota vai longe. Além de sua beleza loura, corpo de sílfide e olhos azuis que às vezes puxam para o verde, sua capacidade de se mimetizar, sua versatilidade em papéis variados são impressionantes. Tanto pode parecer uma fada jovem e angelical quanto uma mulher voluptuosa, uma bombshell anos 40, bastando, para isso, a maquiagem, a iluminação, o adereço corretos. Sua trajetória no mundo da moda começou aos 16 anos, quando passou numa seleção da agência Mega. Fotografou e desfilou muito em Franca e região. Estudou até o 4ª ano de Psicologia na Unifran e trancou matrícula. “Quero voltar à Psicologia num outro momento, porque sei que é uma profissão que exige muito investimento. Quando deixar a carreira de modelo pretendo continuar meus estudos”. Em São Paulo, ela conseguiu, via agências Mega e Daphne Models, trabalhos para marcas importantes como Kaiser, Nova Skin, Planet, Grendene, Good Year etc. Na TV, participou, por seis meses, do programa humorístico Sem Controle, ao lado de Matheus Carrieri, no SBT. Vanessa conta que o início, para toda modelo, é penoso. Pouco trabalho, taxas altas cobradas pelas agências. “Revistas, por exemplo, pagam muito mal, ao contrário do que todo mundo pensa”, revela. “Há também a questão dos books rosa. O book branco é o comum, para trabalhos normais de modelo, mas os books rosa são aqueles que buscam vincular a profissão à realização de programas sexuais. Uma cilada. E as meninas têm de estar atentas aos contratos que assinam para não se endividarem com as agências que às vezes cobram taxas exorbitantes de aluguel de apartamento, por exemplo”, orienta. Outras características do “lado B” da profissão, que tem na vaidade e na competitividade seus pontos culminantes, também não são nada fáceis, segundo Vanessa. “Existem as panelinhas nas agências, o que dificulta a entrada das novatas no mercado. Intrigas, fofocas são muito comuns no meio, inclusive entre amigas. Fui vendo essas coisas todas e aprendendo a lidar com isso me apegando na espiritualidade e não me envolvendo emocionalmente com o trabalho ou com as pessoas nele envolvidas, isto é, sendo mais profissional. Mas vejo meninas muito jovens arruinadas emocionalmente nesse meio”. Em relação ao assédio que todos fantasiam ocorrer no mundo da moda, Vanessa conta que ele existe sim, mas é administrável. “Na carreira internacional isso fica mais forte. Tanto que para essa minha temporada na Ásia, o casting é feito pela própria agência. Sei que o assédio lá é grande. Em São Paulo temos mobilidade, andamos de metrô, passeamos na rua tranqüilamente, mesmo porque não somos tão conhecidas”. E como será possível encarar a obrigação de estar linda o tempo todo? “Olha, uma vez, por conta do rompimento com um namorado, eu chorei a noite toda e tinha que acordar às seis da manhã do dia seguinte para um desfile da Grendene, depois, havia um comercial para eu fazer. Fui com aquela cara terrível mesmo, mas a produção foi super compreensiva. Eles me maquiaram, me acalmaram e no final deu certo. Tive sorte nesse episódio, porque há produtores que são tiranos!” Mas claro que existe um lado altamente sedutor na carreira de modelo. Convites para as melhores baladas em camarotes VIP, roupas, sapatos, maquiagem em regime de barganha ou com altos descontos, todo o glamour em torno da beleza, tão valorizada. “Não me deslumbro com isso. Sou bem caseira. Pergunte para qualquer modelo e ela dirá isso: quando saímos de um trabalho, o que mais desejamos é lavar o rosto, amarrar o cabelo num rabo, calçar chinelos e ir embora com cara de gente normal. Talvez por isso não sejamos, muitas de nós, reconhecidas na rua”, desabafa, dando clara noção de que não dá mesmo para trajar a personagem o tempo todo. O JARGÃO DO MUNDINHO FASHION - New face: rosto novo; modelo em início de carreira. - Book: livro de fotos, espécie de currículo que a modelo distribui em agências de modelos. - Booker: intermediário entre a modelo e o cliente. - Bombshell: (essa gíria é antiga!) algo como mulher fatal. - Casting: escalação e transporte das modelos.

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