Além de sofrer com a superlotação, os 392 presos da Cadeia Pública do Jardim Guanabara estão sem assistência médica no local há mais de três meses. O atendimento está suspenso desde a última rebelião, no dia 4 de março. Marco Aurélio Piacesi, médico à época, desistiu do cargo. O atendimento na prisão ocorria de duas a três vezes na semana. No local, não deveriam estar mais de 216 pessoas.
A única assistência presencial é a de um técnico em enfermagem. Quando os detentos têm de ser medicados, são removidos para o PS “Janjão” ou Unidades Básicas de Saúde. São feitas, em média, de quatro a cinco viagens por semana.
Cada cela mede 4 metros de comprimento por 4 de largura. Deveria abrigar entre seis e nove presos. Comporta de 15 para mais. Num ambiente abafado, úmido e superlotado, a população carcerária é acometida de gripes, resfriados e pneumonia, entre outras doenças contagiosas. A tuberculose, por exemplo, é transmitida pela tosse e o contato prolongado com o doente. Se o preso não fizer o tratamento correto pode contaminar os demais.
O médico Marco Aurélio Piacesi, que trabalhou na cadeia de Franca por sete anos, alertou para o perigo da situação. “Como estão alojados em um espaço apertado e com grande número de pessoas, o risco de epidemia é grande” disse Piacesi, que deixou o trabalho no “cadeião” por medo.
Donizete Camilo, carcereiro encarregado, afirmou que a situação é crítica e que os presos precisam de uma melhor assistência médica. “Desde que o doutor Piacesi saiu não houve reposição pela Secretaria de Saúde. Precisamos de médico com urgência. Tem muito preso com problema”.
O pedreiro JAS, 27, está preso há seis meses. Não sabe até quando cumprirá pena, tampouco quando receberá atendimento médico para tratar de suas doenças. “Estou com manchas no pescoço e tenho sífilis, mas ninguém dá atenção para nós. Já pedimos médicos e remédios, mas não tem. Quase o prédio inteiro está com problemas de saúde”, disse.
Segundo a assessoria da Secretaria Estaudual de Segurança Pública, a área médica é responsabilidade da Prefeitura. O secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, disse que encontra resistência por parte dos profissionais. “Ninguém que trabalhar na cadeia. Todo mundo tem medo. O contrato dos médicos não prevê prestação deste serviço”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.