Fugindo para o exterior


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Quantas vezes você já pensou em largar tudo e fugir no mundo? Terminar um longo namoro, perder o emprego, brigar com a família. Cada um tem seu problema e, muitos, mas muitos mesmo, em algum momento da vida, se imaginaram bem longe de tudo e todos. Há também quem queira contato com outras culturas para crescimento profissional ou pessoal ou ainda trabalhar para dar uma engordada no cofrinho. Não importa o motivo, fato é que tem muita gente que parou só de pensar, carimbou o passaporte e foi tentar a sorte no exterior. E lá vão eles. Estudar, pesquisar, adquirir experiência, aperfeiçoar uma segunda língua ou juntar a tal grana - sem prazo definido para voltar. Para ajudar quem está em cima do muro sobre viajar ou não, o Se Liga foi ouvir pessoas que decidiram investir no sonho, saber o que foi determinante para a decisão e o que se pode encontrar depois que o avião pousa em solos estrangeiros. ELE FOI O publicitário de Batatais, Gabriel Pupim Fugisawa, 26, está há 2 anos e 3 meses em Londres, na Inglaterra Comércio - Como foi a decisão de ir e como planejou a viagem? Gabriel - Fiz publicidade e propaganda no Mackenzie, em São Paulo, e decidi vir assim que me formei. Sempre tive vontade de morar em algum país de língua inglesa para aprimorar o meu inglês, fazer cursos e trabalhar em algo que pudesse ser útil no meu currículo para quando voltar ao Brasil. Comércio - Onde você mora? Gabriel - Moro em Londres, no bairro de Bounds Green. Moramos eu e minha namorada (uma australiana) em um quarto e, nos demais, uma amiga brasileira, um polonês e um inglês. A casa é show de bola. Comércio - Quais as suas principais atividades? Gabriel - Trabalho quatro vezes por semana em um pub/balada. Sou bartender, faço coquetéis e drinques. Uma vez por semana trabalho em uma agência de publicidade de Londres, onde não ganho quase nada de dinheiro, mas estou fazendo isso para contar no meu currículo. Já fiz um curso de inglês avançado e outro de business english. Agora pretendo fazer algum outro na minha área antes de voltar. Comércio - Qual a renda mensal, em média, de brasileiros com estilo de vida parecido com o seu? Gabriel - Isso depende de muitas coisas. Primeiro do nível do inglês. Quem não fala inglês normalmente trabalha em empregos em que não precisa se comunicar muito, como cleaner, em que faz trabalhos de limpeza, serviços gerais. Esses empregos são menos remunerados. Outra coisa que conta aqui para se conseguir um bom emprego, infelizmente, é a aparência. O salário mínimo aqui é de 5 libras esterlinas e 50 por hora (R$ 17). Pelo trabalho de bartender recebo 7,50 libras (R$ 24) por hora, mas ganho o triplo em gorjetas. Em média, por trabalhar quatro vezes por semana no pub, recebo 150 libras (R$ 481) por dia trabalhado. Comércio - E quando pretende voltar? Você estipulou algum prazo ou meta para isso? Gabriel - Pretendo voltar em janeiro do ano que vem. Eu e minha namorada estamos juntando dinheiro para ir para o Brasil e dar início a uma nova vida. Ela pretende ir comigo e viver por aí. Comércio - O que foi necessário para viver legalmente em Londres? Gabriel - Para vir basta tirar o visto direto na imigração. Será um visto de turista, que dá o direito de ficar aqui por seis meses, mas não pode trabalhar. O visto que tenho é de estudante. O primeiro tirei ainda no Brasil. Renovei o segundo já aqui na Inglaterra. O meu terceiro visto peguei faz uns dois meses. No entanto, a grande maioria dos brasileiros que vive aqui entra como turista. Comércio - Há muita fiscalização? Os fiscais pegam muito no pé? Gabriel - O visto de seis meses é checado no aeroporto. A verdade é que depois desses seis meses a maioria fica ilegal. Mas o pessoal não pega no pé não. Se a pessoa estiver ilegal, é só não andar fazendo m(...) pela cidade que provavelmente fica aqui durante anos. Comércio - Qual a dica de ouro para quem está pensando em tentar a sorte no exterior? Gabriel - O que eu recomendo é ter toda a documentação legal, o que o ajudará em vários aspectos na vida londrina e principalmente a encontrar trabalhos. ELA VAI A professora francana Katiucia Capel de Carvalho, 25 anos, de malas prontas para Lausanne, na Suiça. Comércio - Como surgiu a idéia de ir para o exterior? Katiúcia - Eu tenho amigas que estão lá e sempre me chamam para ir. Há um ano estou amadurecendo a idéia. Ficava entre as coisas que eu tinha (ela é formada em letras e pós-graduada em metodologia do ensino de língua portuguesa, trabalhava no Comércio da Franca e lecionava em uma escola estadual) e ir embora. Falei com meu pai e ele disse que não sabia por que eu não tinha ido ainda. Sem pensar em mais nada, fui lá e comprei a passagem. Comércio - Quando começou a planejar a viagem de forma mais concreta? Katiúcia - Foi muito no susto. Comprei a passagem no dia 8 de maio. Entre eu ter decidido até a data da viagem (13 de junho), não dará nem um mês e meio. Comércio - Você teve dificuldades em relação à burocracia da documentação? Katiúcia - Não achei complicado. Meu passaporte, feito em Ribeirão Preto, ficou pronto em uma semana. Não são todos os países que necessitam de visto. Para a Suíça tenho o direito de ir e permanecer três meses como turista, desde que eu apresente uma carta-convite emitida por uma pessoa natural da Europa, não importa de que parte. Isso eu tenho, porque minha amiga que mora lá é casada com um português e me enviou. Minha intenção é organizar a minha vida nesse período. Depois de eu me matricular em um curso do idioma local, no caso eu vou fazer francês, consigo um visto de estudante e posso permanecer lá durante um ano. Trabalhar legalmente, não. Isso é complicado. Comércio - Quais os seus principais objetivos e sonhos? Katiúcia - Vou morar com uma das minhas amigas que estão lá e estudar. Não tenho a pretensão de voltar com um centavo no bolso. Tudo o que eu puder gastar para conhecer a Europa eu vou gastar. Comércio - Você tem algum medo, algum receio? Katiúcia - Nenhum. A minha preocupação é ter alguma dificuldade no aeroporto de Paris (onde o vôo fará uma escala) por não falar nada de francês. Não tenho medo nem de ir, nem de voltar. Se eu não me adaptar, venho embora na hora. Conversei nos meus dois empregos e com a minha família. Caso eu volte, acredito que não terei dificuldades. Comércio - O que sua família pensa disso? Katiúcia - Meu pai está mais orgulhoso de mim do que quando eu nasci. Ele acha que foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Por mais que não dê certo algum emprego, ou que eu não consiga me adaptar ao clima, que é muito frio seis meses por ano, ele disse que eu terei vivido a experiência de ter viajado, passado um tempo na Europa. Isso me incentiva muito. Comércio - O que você está levando na bagagem? Katiúcia - Não estou levando nada de roupa de cama, nem de cosméticos, que lá são mais baratos. As roupas de frio daqui não servem para lá, então nem vou levar. O frio é muito rigoroso. Os casacos têm de ser de couro por fora e de pele por dentro. Calçados, sim, eu estou levando um monte. Bijuterias também, pois lá não há meio-termo, só se encontram jóias. A bagagem permitida é de duas malas de 32 quilos no contêiner do avião, mais uma bagagem de mão e uma mala de notebook. Comércio - E a grana, quanto você já gastou e quanto está levando? Katiúcia - Paguei R$ 89 no passaporte e R$ 2,2 mil na passagem. Estou levando R$ 6 mil, o suficiente para eu me manter por cerca de um mês e meio. Isso porque a princípio não gastarei com casa, comida e transporte.

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