A programação diária da sapateira Suellen Barbosa Rodrigues, 20, na cadeia feminina de Batatais, é recheada de opções. “Morando” no local há 27 dias, desde que foi recolhida por ser suspeita de planejar o roubo que culminou com o assassinato do próprio pai - o comerciante Severino Rodrigues, 37, ocorrido em fevereiro deste ano -, opções de trabalho, entretenimento e alimentação de alta qualidade fazem parte de sua rotina.
Grávida de quase quatro meses, ela acorda, toma café da manhã, banho de sol das 8 às 11 horas e tem que se apressar para não se atrasar para o almoço. Às segundas-feiras, tem a opção de buscar alívio na fé, participando de grupos pastorais da Igreja Católica; às terças, estudantes universitários oferecem atendimento em diversas áreas, especialmente assistência social; às quartas, caso queira, é hora de checar a saúde com um médico clínico geral que visita a cadeia semanalmente; às quintas, as atividades ficam por conta da Igreja Universal do Reino de Deus.
Se quiser ganhar uns trocados, mesmo sem enviar currículos a empresas ou enfrentar maratonas de entrevistas, pode escolher entre pelo menos três opções de trabalho, conforme seu talento ou aptidão: atividades com barbantes, como a confecção de tapetes e toalhas, serviços gráficos ou produção de caixas de álbuns fotográficos.
Apesar da programação intensa, segundo funcionários da cadeia que preferiram não ter seus nomes revelados, Suellen é contida e discreta. Não costuma ser a “primeira da fila” nas atividades e seu nome, pelo menos até a última sexta-feira, não constava na listagem das detentas que exercem atividades remuneradas. Agentes disseram ainda que ela é tranqüila, não tem singularidades que a destaquem e se relaciona normalmente com as outras presas.
ALMOÇO
Se você ficou feliz por ter pelo menos uma mistura para fazer companhia ao arroz e feijão, provavelmente se surpreenderá com o “banquete” oferecido diariamente a Suellen e às suas companheiras.
Depois de um café da manhã com leite, café e pão com manteiga, a próxima refeição é o almoço. O cardápio desta sexta-feira, por exemplo, incluiu, além da dupla arroz/feijão, carne, farofa, ovo, beterraba e um pedaço de doce como sobremesa. No jantar, foi servida uma variação dos pratos do almoço. Assim como a de sexta-feira, as marmitas de todos os dias pesam entre 600 e 900 gramas.
Depois do almoço, as detentas que ainda não tomaram banho de sol podem desfrutá-lo das 13 às 16 horas. As demais têm a opção de assistir a programas de TV ou ouvir músicas, uma vez que as seis celas da cadeia contam com televisores e aparelhos de som.
[FOTO2]
Se por um lado os equipamentos eletrônicos figuram como luxo, por outro, a prisão, que já é uma tortura passiva, se torna mais angustiante com a superlotação. Ao todo, 106 mulheres estão distribuídas nas celas que têm, no máximo, 18 metros quadrados cada. Considerando que a capacidade máxima da cadeia é de 21 detentas, não é exagero afirmar que elas se “espremem” nos cômodos: há entre 17 e 18 mulheres por compartimento, enquanto o ideal seriam três ou quatro.
Outro fato, que para alguns funcionários da cadeia chega a ser irônico, é que, embora a Polícia Civil de Franca investigue a possibilidade de Suellen ter encomendado a morte, não só do pai, mas também da mãe, a dona de casa Eliana, esta não a abandonou no cárcere. É a única a fazer visitas periódicas à detenta.
Nas tardes de quarta-feira, a mulher que viu seu mundo desabar em poucos meses, deixa Franca e chega sozinha à cadeia de Batatais, onde, no pátio central, tem contato com Suellen.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.