Uma alimentação adequada é composta por carboidratos, proteínas, lipídeos, vitaminas e minerais. O recomendado é ingerir diariamente arroz, feijão, carnes, legumes cozidos, verduras e frutas, além de água. Homens devem consumir no mínimo sete copos e crianças e mulheres pelo menos cinco por dia.
A nutricionista Verusca Carvalho, 31, disse que a deficiência na alimentação pode, a longo prazo, acarretar problemas de saúde. “Sem carnes ou outras fontes de proteínas ou sem comer feijão, que tem ferro, a pessoa poderá ter anemia. Se não consome leite ou outros alimentos que contêm cálcio, corre risco de ter danos nos dentes e ossos, como osteoporose quando mais velha”, disse ela.
A orientação de especialistas é substituir os alimentos para garantir a ingestão de todas as fontes necessárias para ter boa saúde e manter o funcionamento do organismo em ordem. “A dieta das famílias carentes não supre todas as necessidades, mas é possível fazer trocas por alimentos com preços mais acessíveis e evitar deficiências”, disse a nutricionista Ana Carolina Maretto.
Na ausência de carnes, as pessoas devem consumir ovos, soja, lentilha e outras fontes de proteínas. “Tenho pacientes vegetarianas com 50 anos de idade que estão muito bem de saúde, sem comer carne por longo período”, disse Ana Carolina. O cálcio presente no leite também pode ser reposto. Chá de canela e hortelã, couve, espinafre e agrião são fontes da substância. Uma xícara de repolho picado corresponde a um copo de leite de cálcio. O leite tem mais cálcio, mas a absorção pelo organismo em um copo e numa xícara de repolho é a mesma.
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LADO EMOCIONAL
A família da serviços-gerais desempregada Neuza da Silva, 49, uma das entrevistadas dessa reportagem, não consome todos alimentos recomendados para uma dieta saudável e completa. Além da falta de carnes, leite e pães, ela sofre com outras vontades vivenciadas em sua casa. O filho de 11 anos e a neta de 7 sempre pedem iogurte, bolacha, doces e salgadinhos, mas só ganham quando têm dinheiro para comprar, o que é raro. Em reportagens sociais feitas pelo jornal Comércio da Franca também é comum as crianças falarem de suas vontades. Sempre revelam o desejo de comer lasanha, bolo de chocolate e outros pratos.
A psicóloga Lívia Coleto disse que, dependendo do contexto, tais privações podem gerar transtornos. “Seria necessário avaliar cada caso. É preciso saber se a falta do alimento é mais um agravante dentro da casa ou se a criança tem, por exemplo, uma família contextualizada e recebe atenção da mãe, do pai. Se são pais presentes, a frustração com a falta de alimentos, muito provavelmente, será suportada”.
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