Na tarde da última sexta-feira, o diretor da Cadeia do Jardim Guanabara, Eduardo Bomfim, autorizou que os presos concedessem entrevista ao Comércio da Franca sobre as refeições. Quando a reportagem chegou, eles se reuniram para decidir o que seria falado e, num primeiro momento, desistiram de dar entrevista.
Minutos depois, voltaram atrás e enviaram dois representantes: o pedreiro J., 27, que está preso há seis meses, e o sapateiro M., 23, preso desde abril deste ano. A entrevista foi concedida na entrada do pátio da cadeia. Eles reclamaram da falta de tempero e da quantidade (insuficiente) de comida fornecida.
Por dois dias, a reportagem procurou a diretoria e nutricionistas da Eldorado Refeições, de Orlândia (SP), para comentar o assunto, mas não foi atendida.
Comércio da Franca - Como têm sido as refeições aqui?
J. - Precária mesmo. Tem dia que não dá nem para comer porque é ruim.
M. - Vem pouquinho arroz, feijão. Você come na hora, sustenta na hora, passa meia hora depois não sustenta mais. Está precisando de mais tempero essa comida, senhora.
Comércio - O que falta para melhorar?
J. - Tinha que melhorar pelo menos uns 80, 90%, né senhora? Tinha de ter uma atenção melhor.
Só isso.
M. - Vim mais né senhora? Vem muito pouco.
Comércio - Antes de ser preso, sua refeição era melhor?
J. - Era.
M. - Era muito melhor que essa agora.
Comércio - O que tinha de diferente?
J. - O amor da mamãe. Se fizessem com amor, melhorava mesmo.
M. - Comia arroz, feijão, muita carne, bem temperada, salada, legumes. Hoje em dia não vem quase nada para a gente comer,
senhora.
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