Pista larga, reta, sem iluminação e sem retorno para quem deseja voltar à pista contrária. Além disso, um tráfego intenso por ser a principal ligação entre Franca e Restinga e estar localizada em pleno Distrito Industrial. A descrição de um trecho de um quilômetro da Avenida Severino Tostes Meirelles é convite para o excesso de velocidade e, conseqüentemente, acidentes de trânsito.
A última ocorrência foi na noite da última segunda-feira, quando a sapateira Valdete Costa Martins bateu a moto que dirigia na caçamba de um caminhão carregado de pedras britadas. O local não tem iluminação. Para piorar, o caminhão estava estacionado, mas como não tinha faixas refletivas não foi notado pela motociclista.
O acidente do começo da semana se junta a outros quatro graves registrados pela equipe do Comércio desde janeiro do ano passado. Um deles, ocorrido em janeiro de 2007 e também envolvendo uma moto e um caminhão, gerou a morte de um autônomo de 56 anos.
Para quem trabalha na redondeza, a falta de iluminação e de sinalização de trânsito é um fantasma que assombra todos os dias.
A auxiliar administrativa Gracie Kelly Caetano é uma delas. Gracie já sofreu um acidente de moto no local e diz que até hoje não sabe como agir na avenida. “Eu estava esperando para fazer o retorno, de repente veio uma Caravan em alta velocidade e bateu na minha traseira. Neste pedaço a gente fica até hoje sem saber se pode fazer o retorno. Não tem sinalização informando”. Gracie conta que já viu vários acidentes e que os motoristas parecem não saber que ainda estão em um perímetro urbano. “O pessoal passa aqui e acha que já vai entrar para a rodovia e não respeita velocidade nenhuma”.
A iluminação também preocupa. “Eu fico aqui só até às cinco da tarde, mas já cheguei a ficar até mais tarde. É um breu total, não dá para enxergar nada. Não tem condição de transitar aqui à noite”.
Se os motoristas de carros e motos sentem medo ao dirigir na avenida, para os muitos ciclistas que passam pela avenida, que fica próxima das empresas do Distrito Industrial, a situação é ainda pior. O auxiliar de produção João Batista dos Santos quem o diga. Ele passa pela avenida por volta 5h30 diariamente e diz que em muitas vezes, além da falta de iluminação, a neblina também atrapalha. “É muito perigoso. O trânsito é intenso e os carros não respeitam a gente. Estes dias atrás eu não conseguia ver nada. Com a iluminação ficaria bem mais fácil”.
O engenheiro André Luiz Santos Galo também reclama da iluminação, mas o maior medo dele é a segurança. “Acho que o principal problema é vir aqui à noite e não ter segurança nenhuma. A iluminação, por mais que seja alguma coisa simples, traz uma segurança maior. A gente consegue ter um campo de visão maior e acaba afugentando pessoas que podem causar um mal para a gente neste local”.
André Luiz diz que, por segurança, só entra no escritório à noite acompanhado. “Eu venho duas ou três vezes por semana à noite. Normalmente a gente costuma vir em duas ou três pessoas e sempre liga o carro e tenta iluminar dentro do pátio para ver se tem alguém.”
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