Ciclista francano tenta vaga em Pequim


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O ciclista Douglas Ribeiro, 20, treina em rua de terra próxima ao Parque dos Pinhais; foco é estar em Pequim, em agosto
O ciclista Douglas Ribeiro, 20, treina em rua de terra próxima ao Parque dos Pinhais; foco é estar em Pequim, em agosto
Com 20 anos, alguns hematomas graves pelo corpo devido ao treinamento - um deles exigiu até que houvesse a implantação de platina no braço - e um sonho na cabeça, o sapateiro francano Douglas Ribeiro Silva tenta atingir a pontuação necessária para ir à Olimpíada de Pequim, em agosto, para competir no MTB (mountain bike). Para isso, só depende dele. Douglas disputa neste domingo a 2ª etapa da Copa Internacional em Ouro Branco (MG). A prova faz parte do cronograma da Confederação Brasileira de Ciclismo, composto por três competições que definirão a única vaga do Brasil neste esporte para Pequim. No dia 13 do próximo mês acontece o Campeonato Brasileiro, em São Bento do Sul (SC), última seletiva. Na primeira etapa, realizada em Araxá (MG), no dia 30 de março, Douglas conseguiu a 4ª colocação na categoria sub-23 e entrou no páreo. O campeão foi Rubens Donizette Valeriano, de São José do Rio Pardo; Robson Ferreira da Silva, de Mendes (RJ), ficou em segundo e Gilberto Veiga de Góes, de São Bento do Sul (RS), terminou em terceiro. Segundo o técnico da seleção brasileira, Eduardo Ramirez, esses três ciclistas são os concorrentes mais fortes para a vaga e quem Douglas precisa superar neste domingo. O treinador, que acompanha a competição em Ouro Branco, disse que o ciclista francano tem tudo para ser uma surpresa. "Para as Olimpíadas, você precisa trabalhar com muita perseverança. Pela idade dele é preciso sonhar mesmo e é interessante estar nas competições e mostrar a cara", contou. A definição da única vaga olímpica para o MTB será dada ao atleta que somar mais pontos nas três competições. Cada uma das etapas tem peso e pontuação distintos. Quanto mais Douglas pontuar, mais chances tem. O Brasileiro do próximo mês é o que vale mais e por isso o título é o mais cobiçado pelos aspirantes a ir para a Olimpíada. "A vaga está em aberto. Ele precisa ficar entre os três primeiros em Ouro Branco e ir para as cabeças no Brasileiro para selar a vaga", avaliou Ramirez. COM OBJETIVO Douglas não tem patrocínio. Sai da fábrica de calçado em que trabalha no Jardim Guanabara no fim da tarde e vai direto para o treinamento. São cerca de 70 km por dia de pedaladas. No fim de semana, ele anda cerca de 140 km diários. Todas essas distâncias percorridas em estradas de chão. "O segredo é unir técnica e velocidade. Tombos são normais. Estourei o cotovelo esquerdo ao bater em uma árvore durante o treino", lembrou ele, que compete há três anos. Como o salário de R$ 750 que ganha na fábrica, conta com a ajuda de amigos e conhecidos. Um deles é o treinador e preparador físico Gustavo Dagher, 25, que coordena os treinamentos físicos. "Comprei novas rodas e aros, que custam R$ 5 mil. O pessoal vendeu fiado para eu pagar quando tiver dinheiro. Ainda não deu. Até preciso ir lá prestar contas para eles", contou.

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