Um dos mais tradicionais jargões do futebol afirma que a profissão de goleiro é tão ruim que nem grama nasce onde ele trabalha. O ditado se encaixa perfeitamente com a realidade da jovem Bruna de Almeida, arqueira de 17 anos do Rio Branco de Americana.
Antes do jogo contra Franca, o time havia sofrido 64 gols em 7 partidas. Após o jogo, este número subiu para 86, ou seja, média de 10,5 gols tomados a cada rodada. Mesmo assim, Bruna evitou um vexame ainda maior, pois praticou ao menos seis difíceis defesas.
Após o encerramento do primeiro tempo, quando Franca já vencia o Rio Branco por 7 a 0, a atleta não mostrava desânimo ao caminhar para os vestiários do Lanchão.
"Vamos conversar com o técnico e tentar melhorar o desempenho na segunda etapa do jogo", disse. Mal sabia ela que tomaria outros 15 gols nos 45 minutos seguintes.
Mesmo tendo a defesa mais vazada do Campeonato Paulista, a goleira mostrou personalidade e companheirismo. "Estou no início da minha carreira e tudo que aprendi no futebol é graças às minhas companheiras de equipe. O aprendizado também vem nas derrotas e vamos conseguir melhorar nosso desempenho", disse Bruna.
Quando indagada se gostaria de jogar na equipe de Franca, abriu um largo sorriso. "É claro que sim, pois é um time forte e que certamente vai lutar pelo título do Campeonato Paulista. Quem sabe um dia isso não aconteça?", questionou.
No futebol masculino, o Rio Branco já conquistou sua tradição no cenário paulista. Fundado há cinco anos, o time feminino ainda busca seu espaço.
As atletas recebem apenas ajuda de custo, cujo valor não foi revelado. O técnico Gílson Nogueira sonha alto.
"Ainda vamos dar trabalho para Franca. Pode não ser neste ano, mas as perspectivas são boas", disse o treinador, cuja equipe segura a `lanterna` isolada do grupo 1 com apenas um ponto.
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