Fumar é bom - ou gostoso, como preferir. Se fosse ruim, não haveria tanta gente fumando. Acontece é que de uns tempos para cá as pessoas resolveram colocar na balança não só as vantagens de uma tragada relaxante. Muitas passaram a levar as tosses infernais um pouco mais a sério. E não é para menos. Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) mostram que metade dos fumantes morre vítima das doenças causadas pelo cigarro. Preocupados com a perda de mercado, os fabricantes passaram a investir pesado em produtos “menos” prejudiciais à saúde. No Brasil, a estratégia das indústrias ainda não surtiu efeito. A porcentagem de fumantes na população despencou de 33,8% para 16%. Já em Franca, as pessoas parecem não estar tão preocupadas com os males causados pelo tabaco. Com base nos gastos com o produto, é possível dizer que são vendidos quase 25 mil maços de cigarros por dia só na cidade.
Melhor, são 500 mil cigarros queimados a cada 24 horas.
Franca parece não ter se comovido diante dos apelos antitabaco. Levantamento realizado pelo instituto Target Marketing, um dos mais conceituados no ramo de pesquisas de mercado do País, revela que o francano gastou pouco mais de R$ 20 milhões com fumo em 2006. No ano passado, foram R$ 2 milhões a mais. Dividido pelo valor médio de um maço de cigarro (R$ 2,50), pode-se afirmar que os bares e lojas de conveniência da cidade venderam em média quase 25 mil maços de cigarros por dia, ou seja mais de mil maços por hora.
No Brasil, o cenário é bem diferente. Segundo dados divulgados em 2004 pela OMS, o País ocupava o terceiro lugar no ranking entre os com maior crescimento no consumo de cigarro. Naquela época estimava-se que cerca de 33,8% dos brasileiros fumavam e cada um consumia em média 858 cigarros por ano. Pesquisas realizadas pelo Instituto Nacional do Câncer apontaram que o número de fumantes caiu para 16% da população até o ano passado.
Mas afinal, por que o objeto que até há pouco tempo simbolizava poder, charme e liberdade passou a cair em desuso no gosto do brasileiro?
O percentual de mortes devido aos seus malefícios é gritante. Ainda de acordo com a OMS, o fumo mata metade de seus usuários. Logo se você é um fumante convicto, convença-se também de que tem 50% de chances de bater as botas mais cedo. A ausência de propagandas na mídia, determinação legal vigente desde 2000, também pode ter grande parcela de culpa. Assim como a sessão de horror estampada na parte traseira das embalagens de cigarro. Agora mais chocantes e “photoshopiamente” modificadas.
RECUPERAÇÃO
Do outro lado, as empresas procuram saídas para não perder clientes. A idéia é lançar produtos que causem “menos danos”. Na onda, surgiram os cigarros com baixo teor de nicotina e alcatrão e sabores diferenciados, vendidos como produtos mais fracos e pouco viciantes. Agora, a moda é acompanhar a tecnologia. Prova disso são os lançamentos high techs como a maquininha de fumar e cigarro eletrônico que prometem poupar a saúde de seus usuários.
Os inventos vêm causando polêmica. O estudante Thailon Noleto Rabelo, 22, adorou as novidades. “Foi uma ótima idéia. Eles têm quase o mesmo formato do cigarro normal, solta fumaça, faz efeito relaxante e não faz tão mal a saúde. Muito bom.” Thailon fuma desde os 16 anos e, como na maioria dos casos, tragou a primeira vez para experimentar, por influência e “zueira de amigos”. Hoje fuma cerca de um maço por dia e não pensa em parar tão cedo. “Sou dependente, não tenho como parar agora, eu gosto, me acalma. Meu pai também fuma (há 34 anos) e vem pensando em parar porque está com problemas respiratórios”.
A pneumologista Lilian Benedetti prefere não arriscar. “Acho que devemos tratar as pessoas que querem parar de fumar com as técnicas de reposição de nicotina (chicletes e adesivos) e substâncias anti-depressivas que já praticamos e que são comprovadas cientificamente. Essas outras, além de paliativas, provavelmente custarão caro”, disse.
Ricardo Meirelles, médico pneumologista e técnico da Divisão de Controle do Tabagismo do INCA (Instituto Nacional do Câncer) também não concorda com os novos inventos e acredita que a salvação esteja na educação preventiva. “Não vender cigarros para menores, restringir as propagandas, intensificar ações educativas e proibir o fumo em ambientes fechados foram boas iniciativas. Não sei se vamos conseguir erradicar o tabagismo, mas para mim o próximo passo seria dificultar o acesso ao cigarro, fazendo com que ele seja vendido somente em locais especializados, como as tabacarias”.
Agora é que são elas. Um fumante tem 50% de chances de morrer antes da hora e de uma morte não muito atraente, não pode acender um cigarro em qualquer lugar, fede e ainda tem que conviver com aquelas caixinhas assustadoras. Será que fumar é bom mesmo?
Colaborou Maria Toledo
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