A Prefeitura de Franca tem fechado o cerco aos proprietários de terrenos sujos na cidade. Por mês, a Divisão de Fiscalização de Obras e Posturas do município recebe cerca de 360 reclamações de áreas tomadas por lixo e mato alto. O problema chegou a tal ponto que, para coibir um inchaço de terrenos abandonados, a administração tem multado quem não está em dia com a limpeza. Caso o serviço não seja realizado, a Prefeitura faz a faxina e manda a conta para o proprietário. Estima-se que em Franca haja 40 mil terrenos vagos.
Ismael Xavier, diretor da Divisão de Fiscalização, disse que as reclamações partem de diferentes bairros da cidade. Ele diz ser difícil apontar em quais regiões há uma maior incidência de terrenos sujos, no entanto cita que bairros como Aeroporto e Santa Rita são mais fáceis de terem espaços nessas situações. “Em bairros mais populosos quase não há terrenos sujos por causa da escassez desse tipo de área. O mesmo não acontece em bairros com grandes descampados”, disse Xavier.
Por dia, a Prefeitura chega a autuar em torno de seis proprietários de terrenos. A multa é de 7 UFMs (Unidades Fiscais do Município), o equivalente a R$ 280. “Damos um prazo para que façam a limpeza. Quem não cumpre acaba multado. Em seguida, encaminhamos para a Secretaria de Serviços, que se encarrega de limpar o terreno”, explicou o diretor da Divisão de Fiscalização.
A cada metro quadrado limpo, a Prefeitura cobra R$ 2 do proprietário. “A grande maioria faz a limpeza, mas há também uma parcela que não obedece à determinação. Nesse caso, a Secretaria de Serviços providencia a limpeza e nós enviamos a cobrança depois”.
Ontem, a reportagem do Comércio da Franca foi às ruas e durante uma hora encontrou três terrenos completamente tomados pelo lixo. O primeiro, na Avenida Professor Nicolau Del Monte, no Jardim Guanabara, continha lixo industrial, resto de construções, retalhos de panos, lixo doméstico e muitos calçados e roupas velhas. O local serve inclusive como uma “fonte de materiais” para o catador de recicláveis Antônio Ferreira Damaceno, 63. “Passo aqui toda a semana e a situação é sempre a mesma. As pessoas utilizam o terreno para fazer descarte de tudo o que você imaginar”.
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No Parque Continental, outro sinal da falta de zelo. Duas quadras de terra da Rua da Prata viraram um verdadeiro depósito de lixo. Segundo a pespontadeira Rita de Cássia Oliveira Lopes, até animal morto é jogado no local. “O mau cheiro é muito forte, fora a quantidade de bichos que aparecem”.
Mas não são somente os terrenos de bairros periféricos que estão sujos. Na Rua Capitão Zeca de Paula, no Jardim Consolação, um jogo de estofados faz parte do cenário de um terreno vizinho ao pontilhão da Avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso.
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