Paulo César de Figueiredo é francano e produz em São Tomás de Aquino (MG) mudas de árvores usadas, entre outras coisas, para a produção de móveis. Em sua estufa planta o eucalipto e o cedro, madeiras bastante procuradas por fazendeiros interessados em se tornar silvicultores. Mas é o guanandi - árvore nativa do México e da América do Sul, inclusive presente em todo o território brasileiro - a nova “moda” entre produtores de madeiras de todo o País e que está chegando à região mineira. O metro cúbico da árvore é vendido por até R$ 2,5 mil.
Bastante rústica e nobre, a madeira, que é comparada ao mogno, é bastante resistente à umidade e utilizada, principalmente, na confecção de móveis finos. A alta lucratividade é o principal motivo do aumento do interesse em sua produção. Nos últimos quatro anos, a empresa criada por Paulo em sociedade com o irmão André e o primo Aluísio Figueiredo já plantou cerca de 100 mil mudas do guanandi. “É uma planta rentável que começa a despertar o interesse de investidores”, diz Paulo.
Investidor é a palavra-chave para quem ingressa no ramo da silvicultura. Isso porque a atividade é de longo prazo, apesar da garantia de retorno certo. A venda da madeira do guanandi, por exemplo, só vai acontecer após 18,5 anos. “Por isso, sua atividade é considerada uma ‘poupança’”, diz Paulo. O último projeto da empresa dos Figueiredo, a Arbara, foi na cidade de São Sebastião do Paraíso para um empresário do ramo de cimento. Lá, o grupo plantou cerca de 5,8 mil plantas em 9 hectares. Foram aproximadamente 15% de eucalipto, 15% de guanandi e 70% de cedro. O investimento foi de aproximadamente R$ 70 mil.
O eucalipto terá o primeiro corte em seis anos e já pagará parte do investimento com a venda de 405 metros cúbicos (até 1 metro cúbico de madeira por planta) por R$ 50. O cedro, com 12 anos também pode ser comercializado. Já o guanandi pode ser vendido em seu período máximo de maturação, aos 18,5 anos, por até R$ 2,5 mil o metro cúbico de madeira. Considerando que ao final da produção se obtém um metro cúbico de madeira por árvore e em um hectare ficam 300 árvores, um produtor que entra neste ramo reserva uma poupança gorda para sua aposentadoria ou para o futuro de seus filhos. Numa conta aproximada, ao final de 18,5 anos, dois cortes de eucalipto, um de cedro e um de guanandi (nas proporções do exemplo de São Sebastião do Paraíso - 9 hectares, 300 árvores em cada hectare, 15% de guanandi, 15% de eucalipto e 70% de cedro), o investidor mineiro resgatará cerca de R$ 4,8 milhões. “O investimento total deve chegar a R$ 150 mil, contando com a manutenção e depreciação de solo durante todos estes anos”, explica Paulo.
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COMO TUDO COMEÇOU
Foi durante uma situação financeira delicada pela qual atravessava a família de Paulo César de Figueiredo que surgiu a idéia de produzir mudas de guanandi e outras plantas para reflorestamento. “O corte de uma moita de eucalipto para o pagamento de dívidas me deu uma idéia de plantar para o futuro da família. A produção de mudas para projetos de outros fazendeiros ocorreu naturalmente, assim como a criação de uma empresa para oficializar a situação”, disse.
As mudas são vendidas por cerca de R$ 0,35 (eucalipto), R$ 0,80 (cedro) e R$ 1,5 (guanandi). O custo anual por árvore plantada é de cerca de R$ 8. A Arbara presta assistência para o silvicultor por dois anos, período considerado crítico para as plantas. Hoje, os Figueiredo também montam projetos para o exterior. Aluísio, um dos sócios, mora nos Estados Unidos e de lá tem a responsabilidade de captar investidores estrangeiros. “A idéia, que começamos há pouco tempo, é investir os recursos internacionais em terras arrendadas no Brasil”, disse.
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