Desde segunda-feira, o comerciante Mailson Oliveira Santos, 36, tem vivido sob um novo teto: o de uma barraca de camping. Ele, a mulher e três filhos, de 6, 4 e 1 ano, foram despejados da casa em que moravam no Parque do Horto. Os vizinhos abrigaram a mulher e as crianças, mas Mailson preferiu montar acampamento na porta da casa para garantir a segurança do imóvel e, ao mesmo tempo, protestar contra o que chama de “arbitrariedade” da Cohab (Companhia de Habitação).
A atitude não foi a única tomada pelo comerciante. Diferente de outros despejados no bairro, ele decidiu manifestar sua indignação. Além de montar a barraca, expôs seis faixas em que chama a atenção das autoridades para os problemas vividos pelos mutuários.
Ontem seu protesto virou caso de polícia. Equipes da Cohab foram visitar o imóvel e não gostaram do que viram. Houve bate-boca e todos foram parar na delegacia. Mailson prestou boletim de ocorrência contra os homens da empresa e vice-versa. “Um dos funcionários chegou aqui gritando em alto tom que o pessoal do Parque do Horto é caloteiro. Achei um absurdo. Não é a função dele. Ele tem que respeitar os moradores”, disse Mailson.
Como não tem para onde ir, a família está vivendo de favor. Mailson dorme na barraca ou no carro, na rua, e sua mulher e filhos, na vizinhança. Os móveis da família estão alojados em garagens. Ele garante que não vai deixar o imóvel e que espera negociar com a Cohab sua permanência na casa. “Gastei quase R$ 5 mil em reformas para dar conforto para minha família. Não temos para onde ir agora”, desabafa.
ENTENDA O CASO
Mailson e a família foram despejados do imóvel na segunda-feira. Eram 9 horas quando ele saía para trabalhar e foi surpreendido por dois fiscais da Cohab, uma oficial de Justiça e a viatura da Polícia Militar para o cumprimento da reintegração de posse.
O comerciante morava na casa desde setembro de 2007 e disse que estava aguardando contato da Cohab para negociá-la. A princípio, pagaria R$ 3.400 de entrada e prestações mensais de R$ 217. A proposta foi alterada dias depois dele se mudar por conta de uma dívida de energia no valor de R$ 2,6 mil. “Como a Cohab disse que o imóvel já estava em posse dela e eu iria negociar um novo contrato, nada mais justo que ela assumir uma dívida que não era minha. Mas não aceitaram isso, queriam que eu pagasse”, disse Mailson.
O fiscal da Cohab de Ribeirão Preto, José Aparecido, disse que o morador foi convocado para negociar várias vezes, mas não compareceu. Agora o imóvel será repassado para outra família. Aparecido disse ainda que a discussão de ontem foi parar na delegacia porque o comerciante o ameaçou com uma faca.
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