De cara nova


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Funcionário ajusta equipamento do caminhão para pintar faixas na Avenida Distrito Federal
Funcionário ajusta equipamento do caminhão para pintar faixas na Avenida Distrito Federal
O novo modelo de sinalização das ruas recém-recapeadas pela Prefeitura de Franca tem chamado a atenção dos motoristas e pedestres. A pintura no asfalto, feita nas cores branca e amarela, ganhou formatos diferentes para orientar melhor o trânsito. Até agora, 34 ruas já estão de "cara nova" e cumprem as determinações do Contran (Conselho Nacional de Trânsito). A princípio, serão sinalizadas as ruas recapeadas, pois perderam as marcações anteriores, e regiões mais movimentadas que estão com a pintura de solo comprometida, como no Centro e Avenida Integração. Serão investidos R$ 321 mil nesse trabalho. Mas quem são os responsáveis, na prática, por mudar o cenário? A reportagem saiu às ruas e descobriu que a empresa vencedora da licitação é de Uberaba (MG). Foram enviados para a cidade oito funcionários para realizar a pintura. O grupo está alojado numa casa alugada na Vila Chico Júlio e tem um horário de trabalho "do avesso", atuando em horários de menor movimento. Assim, as melhores opções são as madrugadas e fins de semana durante o dia. Divididos em duas equipes, normalmente ganham as ruas das 20h30 às 5 horas. Têm de enfrentar frio e sono. A presença destes trabalhadores é facilmente notada. Estão sempre "acompanhados" por um caminhão diferenciado, com refletores e luzes piscando nas laterais, vários cones e tambores de tinta. Parte da pintura é feita manualmente, como as faixas brancas e amarelas nas esquinas e a palavra “Ônibus” nos pontos de parada. Para isso, os funcionários usam fôrmas retangulares ou de letras e um revólver de tinta. Outros tipos de sinalização, que incluem faixas de estacionamento e as que dividem o fluxo nas ruas, são feitos automaticamente pelo caminhão. Os pincéis de rolo estão abolidos. O veículo tem uma espécie de "braço" na lateral que é posicionado na rua e acionado por um funcionário no caminhão para liberar a tinta branca ou amarela. Enquanto se movimenta, o caminhão pinta o asfalto por onde passa. O processo é rápido. Na última segunda-feira, às 23 horas, a equipe gastou poucos minutos para pintar os traços amarelos que dividem a Avenida Distrito Federal. A tinta usada é fabricada à base de resina acrílica. Depois de aplicada, recebe uma camada de esferas de vidro (em pó) para refletirem quando a luz do farol as iluminar. VIDA NÔMADE O operador de máquinas José Roberto da Silva, 31, é um dos responsáveis pela sinalização de incontáveis ruas, rodovias e pistas de aeroporto em todo País. Há oito anos na empresa, está morando em Franca desde março e deve permanecer por mais três meses na cidade. Depois, mudará de endereço. Ainda não sabe qual será o próximo destino. José Roberto é de São João do Oriente (MG). Com o excesso de serviço, não encontra com a mãe e os irmãos há um ano. A expectativa dele é de revê-los neste mês. Para amenizar a saudade, liga para os familiares duas vezes por semana. Apesar de sofrer com a distância da família e a rotina "puxada", diz estar satisfeito com o emprego e acha que o salário compensa. Ele trabalha das 20h30 às 5 horas, inclusive aos sábados e domingos, e ganha R$ 2,1 por mês. "Minha família é humilde. Com essa renda, posso ajudá-la. O trabalho é compensador sim", disse. O auxiliar de sinalização Frank Willian Silva, 23, faz parte da equipe de José Roberto. Como eles, os demais funcionários que atuam na pintura de sinalização dormem durante o dia para agüentar o serviço à noite. "Descansamos bastante para ter disposição. O sono sempre vem, mas já me acostumei. Gosto desse serviço". [FOTO2] O QUE ACHAM? Quem dirige acha importantes e úteis os novos traços no asfalto. Taxista há nove anos, Odimilson da Silva, 33, enfrenta 12 horas de trânsito e percorre em média 250 quilômetros por dia. "Quanto mais sinalização, melhor. Fica mais fácil para nos orientarmos, saber onde é garagem, onde pode virar ou estacionar", disse. Os motoristas podem esperar por outras mudanças. Até o fim do ano, o Setor de Trânsito da Prefeitura se comprometeu a instalar novas placas, substituir as danificadas e limpar as que estiverem sujas. "A licitação para compra do material está aberta. A sinalização nas ruas também será em toda a cidade, mas não sabemos quando atingiremos 100%, pois dependemos de material e mão-de-obra", disse o engenheiro de trânsito Alexandre Chioca.

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