O desenho de um anjo, com asas de papel laminado vermelho e o corpo representado por um cone dourado, tem transformado a vida da pequena Marcela Vitória Silva Mendonça, 8 anos, de São José da Bela Vista. Em novembro do ano passado, ela foi a primeira colocada no concurso Cartão de Natal, realizado pelo Caderno Clubinho, do Comércio da Franca, e ganhou uma bolsa de estudos da escola de inglês Know-How. O prêmio, avaliado em R$ 7 mil, se tornou ainda mais especial pelo fato de se tratar de uma criança cheia de privações, filha de trabalhadores rurais.
Marcela está na terceira série da Escola Municipal “José Renato Ambrósio”, de São José. Tem três irmãos (de 14, 13 e 3 anos) e mora numa casa simples do conjunto habitacional Jardim Primavera. Os pais estão desempregados e, para sustentar a casa, começarão a trabalhar na colheita de café na próxima semana.
Proporcionar um curso de inglês para a filha, que sonha em ser professora da língua, seria algo praticamente impossível diante de uma renda apertada de R$ 800 mensais, nem sempre garantida. Marcela conquistou o prêmio e ainda levou para casa uma bicicleta, presente da presidente do Conselho de Administração do Grupo Corrêa Neves de Comunicação, Sônia Machiavelli.
Sem transporte para fazer o trajeto de 30 quilômetros entre as duas cidades, a menina precisa madrugar todas as segundas e quartas-feiras para freqüentar o curso. Marcela viaja sozinha numa van de estudantes e levanta às 5h40. Aproximadamente uma hora depois, está na porta da Know How, onde a aula só começa às 10 horas. “Ela virou xodó da escola. Todas as funcionárias têm um carinho especial por ela. Como passa toda a manhã na escola, recebe café da manhã, tem acesso ao computador, revistas e filmes, tudo em inglês”, disse a diretora da unidade, Eliane Sanches Querino.
Marcela diz adorar a nova rotina e o curso, e não se importa de voltar para casa só após as 17 horas. “Já aprendi a falar as partes da casa e do corpo humano. Gosto das aulas”. O curso, que começou em fevereiro, tem duração de cinco anos e utiliza um método interdisciplinar (confira matéria nesta página). “Ela chega e muitas vezes a escola não está nem aberta. Damos achocolatado para ela e um pão com manteiga. Depois ela fica aqui, lendo, brincando no computador”, explicou Aparecida, uma funcionária da Know-How.
Para a mãe, Rosemari Aparecida Silva Mendonça, 34, a filha está realizando um sonho. “Ela sempre foi estudiosa, não gosta de faltar da aula e levantar cedo para ir a Franca fazer curso de inglês não foi empecilho para a Marcela”. Antes de ganhar a bolsa de estudos, a menina só havia tido contato com a língua inglesa num cursinho gratuito realizado aos sábados numa escola da cidade.
“Em Franca, ela está tendo contato com computador, jogos, um mundo diferente que ela não tem aqui em casa. Todo mundo ficou feliz com o prêmio dela. Tenho certeza que será muito útil no futuro”, disse a mãe. Se depender do empenho de Marcela, o diploma em 2013 está garantido.
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