Onde estão as gabirobas?


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Sempre pensei que um paraíso tropical tivesse pássaros coloridos e exuberantes, além de mesa farta de mangas, laranjas, bananas e jacas. Mas fui surpreendido outro dia ao ler que nenhuma dessas frutas citadas é brasileira. Um absurdo descobrir isso aos 50 e tantos anos de idade. Jaca, tudo bem, não costumo comer. Mas laranja, manga e banana são frutas do meu imaginário paradisíaco, por isso o choque. Sei que não tem importância nenhuma se as frutas surgiram aqui ou lá longe. O importante é que elas sobrevivam às mudanças climáticas e continuem a alimentar nossa gula por muitos e muitos anos. Certas frutas parecem privativas da meninice, e a gabiroba sabe disso! Muitos vão se lembrar dela, encontrada em quantidade nos antigos campos de Franca. Será que a gabiroba - palavra de origem guarani, cujo significado é “árvore de casca amarga” - não é brasileira e voltou para sua terra natal? Recuso-me a pensar nisso. Minha frutinha preferida não pode ser estrangeira. Na minha infância, quando procurar gabiroba no mato era excitante aventura para a criançada, eu não conseguia entender porque as mães não deixavam as filhas apanharem as frutinhas nos campos, com os namorados. Pensava eu, que mal poderia fazer a elas essa frutinha tão saborosa? Certo dia ouvi minha mãe comentando com uma vizinha: “viu só a Mariazinha? Foi ‘catar’ gabiroba com o namorado e agora está grávida”. Fiquei assustado e não levei mais gabirobas para casa, com receio que minhas irmãs, ao comerem a frutinha, engravidassem. Mais tarde, já crescidinho, caiu minha ficha. Naqueles tempos, a criançada levantava da cama e já ia direto para um pomar, mesmo que fosse do vizinho, às escondidas. Os pés de abacate, ameixa, tangerina, manga, morango, carambola e jabuticaba ficavam carregados, à disposição de quem quisesse saborear. Hoje, em Franca, existem poucos quintais arborizados com frutas brasileiras que teimam em resistir. Mas, também, pra que quintais? Hoje, as crianças passam a maior parte do tempo diante da tela de um monitor de computador. Que lembranças elas terão no futuro? Elas não vão ter histórias para contar! Para se ter uma idéia, o meu computador nem conhecia a palavra gabiroba, pois colocou aquele sublinhado vermelho, indicando que é necessário fazer a correção ortográfica. Quando escrevi jabuticaba, ele também mostrou que não conhecia a palavra. Acho que meu computador não teve infância! Descobri, lendo sobre a história da alimentação, que jaca, manga e banana vieram da Ásia, talvez da Índia. Há dúvidas quanto à banana. Historiadores defendem que ela teria surgido na antiga Nova Guiné. Curiosa foi uma lista de frutas brasileiras não comerciais que encontrei. Conta com nomes que você provavelmente nunca ouviu falar, como banana-de-macaco, marolo, araticum-cagão, taperebá, cariota-de-espinho, pau-alazão, marajá e fruta-de-ema, entre outras. Há ainda as frutas extintas, como o oiti-da-Bahia, umas das favoritas do imperador Dom Pedro II. Tenho saudade do tempo em que eu acordava com o cheiro das frutas. Hoje o cheiro é outro, de fumaça preta, gasolina ou do bueiro da esquina (argh!). O quintal de ontem virou playground, por isso, creio, as frutas da minha infância estão desaparecendo. Ou será que elas me enganaram esse tempo todo, não eram brasileiras e resolveram voltar aos seus países de origem? DIVÃ DO MASINI O amigo Marcos Masini, jornalista e autor do blog Divã do Masini, um espaço multicultural do qual eu também faço parte escrevendo uma coluna aos sábados, criou e está disseminando um projeto denominado ‘Incentivo à leitura - esqueça um livro’. Basicamente a idéia é pegar aquele livro que atualmente só serve para decorar a estante e repassá-lo à frente, esquecendo-o em qualquer lugar (rodoviária, shopping, banco da praça, etc). O projeto requer algumas regrinhas básicas e simples de serem executadas. Para saber sobre essas normas, acesse o link: http://www.nossanoite.com.br/divadomasini/. Em tempo: O blog é superdinâmico. Essa semana tem post comemorativo sobre a língua portuguesa. Tem até um concurso cultural que dará aos vencedores o livro 1001 erros de português, do professor Everton de Paula. NEGATIVO A atuação da arbitragem no jogo entre Unimed Franca e Assis nessa última terça-feira, pela Supercopa, foi lamentável. O time do técnico Hélio Rubens, nervoso com a arbitragem, não conseguiu repetir as boas atuações das outras duas partidas e acabou derrotado por 89 a 73. Hoje, às 20 horas, empurrado pela sua torcida que deve lotar o Poliesportivo, o quinteto francano pode se tornar o primeiro campeão da Supercopa de basquete. POSITIVO Demorou, mas a Prefeitura Municipal de Franca resolveu investir no Bairro da Estação, modernizando a Praça Sabino Loureiro, 1º de Maio e Ana Nicácio. Durante mais de um ano martelamos, nesta coluna, a necessidade de obras no bairro, que já foi o segundo centro comercial mais forte da cidade. A Praça da Estação, onde transitam milhares de pessoas diariamente, era ocupada por mendigos, marginais, travestis e prostitutas. Estava abandonada à própria sorte. O coreto, agora revitalizado, era prova maior do desleixo da administração pública. Hoje, felizmente, até os pombos, que emporcalhavam esse histórico coreto desapareceram. Agora, é preciso investir na segurança e se pensar, seriamente, na construção de um terminal de ônibus na Estação. ORGULHO Um estudo recente conduzido pela Universidade Federal mostrou que cada brasileiro caminha em média 1.440 km por ano. Outro, feito pela Associação Médica, mostrou que o brasileiro toma 86 litros de cerveja por ano. Significa que faz, aproximadamente, 16,7 km por litro. Isso me deixa orgulhoso de ser brasileiro! Edward de Souza Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br

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