Os vigilantes patrimoniais de Franca resolveram cruzar os braços ontem em protesto por melhores condições de trabalho. O manifesto tomou conta do Centro da cidade e fez com que parte das agências bancárias fechasse as portas. Dos 450 vigilantes associados do Sindicato dos Trabalhadores em Serviço de Segurança e Vigilância, metade trabalha na segurança de bancos.
As reivindicações da categoria são um reajuste salarial de 9,9%, adicional de risco de vida de 15%; participação nos lucros e resultados da empresa e aumento no tíquete-alimentação, dos atuais R$ 4,20 líquidos para R$ 10 por dia trabalhado. O salário-base de um vigilante é R$ 790.
O protesto começou cedo com a paralisação de um pequeno número de funcionários. Munidos de apitos, eles resolveram visitar, uma a uma, as agências do Centro, em busca de mais adesões. Conforme a manifestação passava, alguns vigias se juntavam ao piquete e o atendimento dos bancos era paralisado.
Perto do meio-dia, no Banco do Brasil da Rua Major Claudiano, o apitaço, que contava com mais de 50 manifestantes, chamou a atenção dos clientes na área dos caixas eletrônicos da agência. Quem chegava para algum atendimento era surpreendido pelo protesto. Por causa do alvoroço, a gerência do banco chamou a Polícia Militar, que compareceu ao local e pediu que a manifestação fosse mais pacífica e se restringisse à parte externa das agências.
A consultora de vendas Larissa Oliveira precisou voltar para casa sem sacar o dinheiro de que precisava na Caixa Econômica Federal. A agência da Praça Nossa Senhora da Conceição foi a única do Centro da cidade a comunicar aos clientes o atendimento parcial em razão da greve dos vigilantes. No Bradesco e no Santander, o atendimento ao público não sofreu alterações.
Denizar Paixão, diretor do Sindicato dos Bancários de Franca, disse que a orientação é para todos os bancos suspenderem o atendimento ao público em caso da não presença dos vigilantes. "Nos bancos, não há funcionários preparados para fazer a segurança, por isso pedimos que fiquem apenas com os trabalhos internos, ou seja, que os bancos sejam fechados para o público".
Ontem à tarde, em assembléia, os vigilantes decidiram continuar a greve hoje. A intenção é conseguir mais adesões ao manifesto com a paralisação dos vigilantes de empresas particulares e órgãos como INSS e Justiça Federal. "Vamos promover uma passeata e tentar conseguir um maior número de grevistas. Hoje (ontem) tivemos 35% de adesão, queremos aumentar essa porcentagem", disse Hélio Lopes de Carvalho, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Serviço de Segurança e Vigilância.
O Comércio procurou representantes do Sesvesp (Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo), mas não obteve retorno. Na Delegacia Regional de São Carlos, o telefone não foi atendido.
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