O lavador de carros JS, 48, freqüentou a escola por apenas um ano e tem dificuldades para ler e escrever. Morador do Jardim Vera Cruz, zona norte de Franca, nunca havia tentado tirar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) em Franca. No fim de 2006, foi até Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, e obteve o documento em poucos dias e sem fazer o curso de formação de condutores, obrigatório para todos os candidatos a motorista.
Em maio do ano passado, policiais do 2º Distrito Policial receberam denúncia anônima de que ele usava documento falso. “Fomos atrás e fizemos a apreensão. Ele nos apresentou sua habilitação e, de imediato, notamos que havia irregularidades. A falsificação era grotesca”, disse o delegado Luiz Carlos da Silva.
Sua assinatura no documento era diferente de seu verdadeiro nome. A CNH foi submetida a exame no Instituto de Criminalística e os peritos constataram que a assinatura não era dele. “Em um primeiro depoimento, ele disse que foi passear na casa de um parente e resolveu tirar a carta. Alegou ter feito todos os exames, com exceção do curso de formação de condutores. Também disse que não havia sido ele quem assinou a CNH”, disse Silva.
Meses depois, JS voltou à delegacia acompanhado de uma advogada e mudou a versão. Alegou que obteve o documento legalmente, que havia feito todos os exames e que a assinatura com o nome errado teria sido feita por ele mesmo. “Ele alegou que a moça da auto-escola o chamou por outro nome e ele assim escreveu (teria se confundido). É a primeira vez que vejo um erro tão grotesco”, afirmou o delegado.
Para a polícia, não há dúvidas de que o lavador de carros foi um dos beneficiados no esquema de venda de CNHs desmantelado em Ferraz, onde foram presos um delegado, donos de auto-escolas, médicos, psicólogos e despachantes. JS responderá por corrupção ativa e por uso de documento falso.
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