O investigador Carlos Eduardo Evangelista, 28, não faz mais parte dos quadros da Polícia Civil. Ele foi expulso da instituição por ter permitido que garotas menores de 18 anos tirassem fotos dentro de uma delegacia exibindo armas e fazendo poses sensuais. A decisão é passível de recurso. Além de perder o serviço, o agora ex-policial responde a processo criminal por ter entregue uma arma para pessoa não habilitada e por corrupção de menores. Também é investigado pelo Ministério Público sob a suspeita de improbidade administrativa.
A exoneração de Carlos Evangelista foi publicada no Diário Oficial do Estado no dia 22 de maio, quatro meses após o Comércio da Franca e a Rádio Difusora denunciarem a farra ocorrida na delegacia de Ribeirão Corrente. As imagens foram enviadas por e-mail à emissora.
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A mensagem anônima trazia um pacote com 17 fotos de menores se exibindo nas dependências da delegacia. Elas apareciam com roupas curtas, fazendo poses sensuais e empunhando a pistola “ponto 40” do investigador, de uso exclusivo da Polícia Civil. Uma das imagens mostrava um bebê com idade entre oito e dez meses no colo da mãe.
A garota que aparecia com a arma contou que ela e as amigas também já haviam almoçado e tomado refrigerante na delegacia a convite Carlos Evangelista, 28. “Às vezes, quando não almoçava em casa, nós íamos lá e pedia pra ele esquentar um arroz (sic), uma carninha (sic), para nós. Ele sempre nos convidava para tomar uma Coca-Cola lá”. A “modelo” afirmou que as fotos haviam sido feitas com o celular de sua irmã. O investigador teria consentido. Para completar, as fotos teriam sido colocadas no site de relacionamentos Orkut no computador da delegacia.
O investigador ainda estava no estágio probatório, que é de três anos. Havia assumido o cargo no dia 10 de fevereiro de 2006. Trabalhou na Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Franca e no 3º DP. Foi transferido para Ribeirão Corrente no fim de 2007 e dois meses depois se envolveu na polêmica das fotos.
Com a abertura do processo, foi afastado e teve retirada sua arma, as munições e o distintivo. Até a publicação de sua expulsão, deu expediente na delegacia de São Joaquim da Barra. “O desligamento aconteceu por lá mesmo. Com a exoneração, ele perde a carteira funcional e não pode mais se apresentar como policial”, afirmou o delegado seccional Maury de Camargo Segui.
O fato de Carlos Evangelista ainda estar em estágio probatório agilizou a sua exoneração. O processo tem um trâmite especial na DIF (Divisão de Informações Funcionais) da Corregedoria da Polícia Civil. No caso de policiais já efetivados que respondem a sindicância - como, por exemplo, o do delegado e do investigador suspeitos de envolvimento no furto de caça-níqueis - a apuração e eventual punição são mais demoradas. “O estágio oferece a possibilidade de uma exoneração dentro de um procedimento sumaríssimo. Em pouco tempo, a avaliação é feita com base em relatórios e documentos. Os prazos mais enxutos possibilitam à administração a decidir com rapidez”, explica Maury de Camargo.
O OUTRO LADO
O agora ex-investigador da Polícia Civil, Carlos Evangelista, foi procurado por telefone, ontem à noite, para falar sobre sua demissão. Em tom ríspido, não respondeu às perguntas e fez ameaças à reportagem do Comércio da Franca.
Minutos depois, aparentemente mais calmo, retornou a ligação e disse que concederia entrevista. Depois, numa segunda ligação, disse que não falaria mais a respeito.
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