Ele se reúne com os moradores, oferece cursos de especialização, passa informações, escuta reivindicações e resolve os problemas dos vizinhos, como doação de cestas básicas para os necessitados. Se Juvenal Antena, personagem da novela Duas Caras, lhe veio à cabeça, você não está de todo errado.
Em muitos momentos, Juvenal Antena não andava dentro das regras. Fora esse lado questionável, o personagem do folhetim global simboliza parte de lideranças comunitárias. A diferença, comentam os francanos, é que não existe aquele autoritarismo mostrado na novela nem a personificação em cima de um único indivíduo. Nas associações, tudo é resolvido democraticamente, por meio de eleições. “Naquele grau, não, mas alguma semelhança tem”, diz Marcos Felizardo de Oliveira, presidente da Associação de Moradores do Jardim Paulistano.
Marcos diz que as semelhanças entre os presidentes de associações com o líder da Portelinha, favela fictícia onde se passava a trama, estão na proximidade com a comunidade. “Temos muita semelhança na questão de ajudar. Na semana passada, por exemplo, faltou água em Franca, como nós temos uma mina aqui, servimos água para o pessoal. Depende da dificuldade que o bairro tem”. Algumas das ações podem ser destacadas: a marcação e descontos em consultas médicas, arrecadação e doação de agasalhos e até mesmo a discussão de questões jurídicas.
As associações também promovem cursos profissionalizantes, práticas esportivas e ações beneficentes. No Jardim Paulistano, por exemplo, são oferecidas aulas de caratê, ginástica, dança e informática. A sede oferece ainda uma biblioteca e uma sala com 13 computadores, todos ligados à internet banda larga. Na Vila São Sebatião, a associação oferece escolinha de futebol, aulas de informática, alfabetização, capoeira e, neste ano, pretende abrir aulas de corte e costura.
Uma iniciativa diferente foi realizada pelo Centro Comunitário do Jardim Aeroporto I. Eles organizaram no último mês uma campanha do agasalho própria, recolhendo roupas nos prédios. “Doamos umas 300 peças de roupas que conseguimos. Ao invés de fazer o bazer, nós doamos. Fizemos a coleta com os moradores e dividimos entre os mais carentes”.
Cada associação se mantém como pode. Algumas cobram pelos cursos oferecidos, outras recebem ajuda da Prefeitura. No caso da do Paulistano, ela não recebe dinheiro da administração pública. “Nunca pegamos subvenção da Prefeitura. Não recebemos porque não queremos. A gente faz pizza, fogazza, porco no rolete, além de parceria com o Rotary Club, que ajuda a gente bastante. Solicitar projeto (da Prefeitura) já solicitamos, mas não subvenção.”
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Já a Associação dos Moradores do Parque Vicente Leporace conta com recursos públicos. De acordo com o presidente da associação, Nelson da Rocha Neves, a administração repassa R$ 7.200 por ano para o custeio de despesas, tudo isso com muito rigor. “Tem a prestação de contas semestral e anual. Além disso, você tem que apresentar o resultado do que foi executado, não só com números, mas nomes, endereços e telefones dos beneficiados”.
A ajuda de empresas privadas também é bem-vinda. Um exemplo é o que está acontecendo no Centro Comunitário do Jardim Aeroporto I. De acordo com o presidente, Célio Martins Júnior, a entidade precisa de ajuda para revitalização do espaço da sede, que, segundo ele, é a maior de Franca. Para isso, está fechando uma parceria com a Unifran (Universidade de Franca). “Acredito mais na ajuda da Unifran do que na Prefeitura”.
Confira os endereços dos Centros Comunitários de Franca no site do Comércio www.comerciodafranca.com.br
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