Mais de 60% dos funcionários da Sabesp de Franca e região aderiram ontem ao movimento grevista organizado pelo Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo). A paralisação teve a adesão de 450 dos 700 funcionários que atuam nos 29 municípios da região onde a Sabesp é responsável pelo abastecimento e coleta de esgoto. Os servidores reivindicam reajuste salarial de 14,7% e a realização de um concurso público para contratação de novos funcionários.
O técnico de atendimento comercial da Sabesp em Franca, Robson André da Cruz, responsável pelo movimento grevista regional, disse que a paralisação atingiu todos os setores e todas as cidades e garantiu que os serviços de fornecimento de água não serão interrompidos. "Somente naqueles municípios onde a Sabesp tem um funcionário no posto de atendimento, como Rifaina e Itirapuã, não foi possível parar", completou. A Sabesp ainda mantém funcionários em Pedregulho, Buritizal, Igarapava, Ribeirão Corrente e Miguelópolis.
Em Franca, a Sabesp emprega aproximadamente 340 funcionários e o número exato de grevistas não foi divulgado pela empresa. Para Robson Cruz, seria necessário contratar mais cem pessoas para atender à demanda da cidade. "O último concurso foi realizado há oito anos e de lá para cá a população aumentou. O número de ligações de água cresceu e o de funcionários, não. Por isso, estamos reivindicando a realização de um concurso para ampliar o número de servidores", disse. Recentemente, a empresa abriu vagas para aprendizes dentro do Programa de Estagiários promovido pelo governo estadual. Para Franca foram reservadas 15 vagas. "Eles vão aprender, não vão exercer uma função. Precisamos repor a demanda".
Mesmo com a paralisação, a Sabesp, por meio de sua assessoria de imprensa, garantiu que manterá os serviços de emergência de água e esgoto em toda a cidade e região, já que o fornecimento de água é considerado legalmente um serviço essencial. Funcionários permanecerão de plantão para atender a qualquer emergência. O atendimento também será mantido pelo telefone 195. As ligações são gratuitas. Serviços como pedido de segunda via de conta e religação de água cortada serão mantidos mesmo com a greve.
A última paralisação dos servidores da Sabesp foi realizada há dois anos e durou dois dias. A greve desta semana foi decidida no último dia 28 de maio durante uma assembléia em São Paulo. Em Franca, foi promovida uma reunião às 7h30 de ontem, quando a maioria dos servidores resolveu parar as atividades. A assessoria de imprensa da Sabesp não soube informar quantos dos 17 mil empregados aderiram à greve em todo o Estado. De acordo com Robson Cruz, na maioria das regiões a adesão foi de cerca de 70%. Não há previsão de quanto tempo a paralisação deve durar.
ASSEMBLÉIA
A volta ao trabalho vai depender das assembléias que o sindicato realizará. A primeira reunião após o início da greve foi realizada na noite de ontem, na sede do Tribunal Regional do Trabalho, em São Paulo, com a participação de representantes do Sintaema. Os funcionários da Sabesp rejeitaram a proposta de 5,1% oferecida pela empresa e votaram por manter o movimento por tempo indeterminado.
Às 7 horas de hoje representantes do Sintaema se reúnem com os funcionários da empresa de Franca para repassar os informes. A proposta será manter a greve na cidade.
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