Cartas na mesa


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Os números revelados nesta edição pela primeira rodada da pesquisa Comércio/Datalink para as eleições municipais de 2008 tornam mais precisas algumas conclusões vistas até agora, principalmente por aqueles que sonham com o cargo de prefeito, como “especulações precipitadas”. A primeira e mais óbvia: Sidnei Rocha (PSDB) é favorito absoluto a uma vitória já no primeiro turno. Não importa quais sejam seus adversários ou como se organizem, a distância que separa o prefeito de seus oponentes é grande. Sidnei vence qualquer um. Tanto faz o cenário ou as alianças, a vantagem pró-Sidnei pouco muda. O tucano está sempre em primeiro lugar, muito à frente do resto. A segunda conclusão, tragicômica, é que alguns de nossos políticos são vítimas da “síndrome portenha”. Certa vez um professor brincou comigo: “o melhor negócio do mundo é comprar um argentino pelo que ele vale e vender pelo que ele acha que vale”. A piada ajuda a compreender muito do que acontece em Franca. Por aqui, vários de nossos políticos se dão uma importância desmedida, quase inconseqüente, muito além da densidade eleitoral que realmente possuem. Tal qual os argentinos da brincadeira, valem - nas urnas - muito menos do que pensam. A terceira conclusão é que o ranço ao petismo continua alto. É pouco provável que qualquer candidato disputando eleições pelo PT tenha chance de vitória numa eleição majoritária em Franca nos anos seguintes. Na Câmara de Vereadores, é igualmente difícil que o partido volte a fazer bancadas expressivas, pelo menos nesta próxima legislatura. O mais provável é que fique com apenas um vereador. Com sorte, faz dois. Mais do que isso, é lucro e dos bons. É certo que uma parcela dos leitores - e quase todos os pré-candidatos - deve estar criticando minhas conclusões neste instante. Faz parte. Há dois anos, nas disputas para deputado, o Comércio e o instituto Datalink foram duramente criticados, especialmente pelo PT. Seus líderes questionavam a pesquisa, a metodologia, a amostra, a margem de erro. Nas semanas que antecederam as eleições recebi uma tropa de choque ligada ao Partido dos Trabalhadores. Trazia críticas agressivas e insinuações maldosas aos números que apontávamos. Gilmar Dominci - que não fazia parte da tropa, a bem da verdade -, então candidato a deputado federal, dizia que era ridículo afirmar que teria apenas 10-12% de votos como nossas pesquisas apontavam. Afirmava ainda que pesquisas internas - o PT sempre as tem ou, pelo menos alega ter - apontavam um cenário muito diferente daquele que o Comércio registrava em suas páginas. Na véspera das eleições, o Comércio publicou que Ubiali (PSB), Gilson de Souza (DEM) e Roberto Engler (PSDB) seriam muito provavelmente eleitos. Abertas as urnas, a previsão se confirmou. E Gilmar Dominici recebeu apenas 17 mil votos em Franca, exatamente como estimado pelo instituto Datalink. Análises políticas - e especialmente de cenários eleitorais - nunca são ciências exatas. Na luta pelo voto, muita coisa acontece. Há o horário eleitoral no rádio e na TV, os debates, as propostas, as acusações, os atos falhos. Afloram empatias ou antipatias. Gente sai do muro, muitos sobem nele. Mas se a disputa fosse hoje, Sidnei Rocha estaria reeleito. E as chances de que isso não ocorra no dia 5 de outubro são, a cada dia, menores. Os que pretendem ocupar seu cargo deveriam entender que uma candidatura não se constrói só na base do desejo íntimo. Muito menos da noite para o dia. A cada momento dos últimos anos em que estas figuras que querem nosso voto deixaram de manifestar sua opinião, se recusaram a participar do debate, fugiram do confronto de idéias ou dissimularam suas intenções, sepultaram um pouquinho suas próprias chances. Agora, cabe a eles tentar melhorar suas biografias para a disputa de 2012. Porque neste pleito, dificilmente alguém tira a vitória de Sidnei Franco da Rocha. CORRÊA NEVES JÚNIOR é diretor-responsável do Comércio da Franca jrneves@comerciodafranca.com.br

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