Trailers com ar condicionado, água quente, geladeira, TV a cabo e notebook. Salários que variam de R$ 300 a R$ 2 mil por semana. Passeios em shoppings, jogos de futebol, idas à academia, folgas às segundas-feiras e, depois de uma noite de trabalho, muitos aplausos e ovações. A vida dos profissionais do circo Stankowich, que estreou na última sexta em Franca, extravasa a imaginação.
Nos bastidores, a rotina é diferente da habitual da maioria das famílias. A busca pela perfeição acontece todos os dias. Os artistas são livres e só têm como obrigação arrancar risos e aplausos de adultos e crianças durante o espetáculo de duas horas.
Em Franca, são 20 famílias com 15 crianças que fixarão residência por aqui até o dia 22 de junho. A maioria é jovem (média de 25 anos) e formada por escolas de artes cênicas. Entre artistas, funcionários e equipe técnica, a trupe conta com quase cem pessoas. Destas, quatro são artistas estrangeiros “emprestados” do Cirque du Soleil.
Como num time de futebol, cada estrela tem o seu valor e sabe da sua responsabilidade dentro do picadeiro. Para que nada saia errado na hora do show, costumam treinar antes e depois dos espetáculos. Em alguns casos, avançam a madrugada. Cansados após um dia de trabalho, são poucos os que acordam antes das 10 horas.
As crianças estudam em escolas regulares, amparadas por uma lei federal que obriga a abertura de vagas para nômades.
Enquanto as crianças estudam, os pais ficam no circo e cuidam dos afazeres domésticos e da parte burocrática que o serviço exige. Não há uma rotina específica. Cada um faz o que deseja e escolhe o seu horário de treinamento.
Cecília Dmitriev, 33, é artista circense há nove anos e também dona de casa. Ela mora com a filha, de 5 anos, e o marido, o equilibrista russo Guennadi Dmitriev, num trailer de quatro cômodos, que tem a sala transformada em quarto de casal durante a noite. No Stankowich há um ano, ela apresenta um número com bambolês, técnica que aprendeu com o marido. No espetáculo, a ex-aeromoça chega a equilibrar 40 arcos de uma só vez. “Sou de Sorocaba e fui ver um espetáculo do circo, me apaixonei pelo Guennadi e resolvi ir embora junto”.
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Sem férias, no circo há somente folgas entre a mudança de uma cidade para a outra, as famílias chegam a morar em até dez cidade ao longo de um ano. O palhaço Rodrigo Garcia, 27, está acostumado. De família circense, ele herdou dos tataravós o gosto pelo picadeiro. No show, interage com o público sem dizer uma palavra.
“Trabalho com muita mímica e dublagens. Quase não falo nas esquetes”. Rodrigo que é casado com uma bailarina e entra de cinco a seis vezes no espetáculo. “Sempre gostei disso, minha família é toda do circo. Moro numa carreta, tenho uma filha e tento ter uma vida como a das pessoas da cidade”.
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