Sai de mim


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Poeira, pêlos e cheiro de mofo são conhecidos fatores que provocam alergia em algumas pessoas. Somados ao leite, formam uma mistura “fatal” para a estudante Bárbara Freitas Chagas, 16. Desde criança ela sofre com constantes crises respiratórias e, mesmo sem nenhuma comprovação médica, garante que também tem alergia à bebida. “Sempre que tomo leite fico pior, bem pior. Sinto meu organismo mais sensível, tanto que os sintomas se agravam”, disse. Além da falta de ar, Bárbara tem que conviver com as coceiras nos olhos e nariz, tosses e espirros, sintomas que a tiram do sério pelo menos uma vez por mês. Bárbara nunca precisou ficar internada, mas já foi parar no hospital várias vezes para tratar o problema. “Por isso resolvi deixar de tomar leite, antes era um copo por dia, depois um por semana e agora parei quase totalmente. Além disso faço tratamento há um ano, estou melhor”. Bárbara não é a única pessoa que sofre com as alergias alimentares, entre ou-tras. O nutrólogo Roberval Donizete Antonelli estima, com base em literaturas internacionais, que entre 2% e 3% dos adultos brasileiros também manifestam hipersensibilidade a determinados alimentos. Vale lembrar que todos estão sujeitos a causar alergia, mas na maioria das vezes o principal agente alérgico é a proteína, encontrada no leite de vaca e derivados, amendoim, morango, frutos do mar, carne de porco, ovo, peixe, castanhas e soja. Nas pessoas alérgicas, o problema aparece depois de mais ou menos duas horas da ingestão porque o organismo simplesmente não consegue quebrar as moléculas de proteínas ingeridas, fazendo com que o organismo as reconheça como corpos estranhos e assim tente expeli-los (entenda melhor como acontece o processo alérgico no infográfico desta página). Nessa tentativa, os sintomas aparecem. Os mais comuns são dores no abdômen, vômito, diarréia, sangramentos, coceira, vermelhidão da pele, urticárias, inchaço, sensação de sufocamento e falta de ar. A gravidade da alergia vai depender da quantidade de alimento consumido e do grau da sensibilidade do organismo da pessoa que o ingeriu. O tempo que se demora para procurar o médico também pode agravar a situação. “Ela pode evoluir e se transformar em uma bronquite, rinite ou asma. Em casos ainda mais graves o paciente pode sofrer um choque anafilático (morte causada por insuficiência respiratória). Esta complicação não é comum, mas não está descartada”, explica Antonelli. Como é praticamente impossível diagnosticar uma alergia, quanto mais curá-la, o melhor mesmo é procurar um médico assim que os sintomas aparecerem. “Lá ele trata a crise e faz um rastreamento para descobrir o que de fato causou a alergia. O paciente ficará em período de abstinência. Passado um tempo, o profissional pode tentar reintroduzir o alimento à dieta. Caso contrário, a solução é a pessoa nunca mais voltar a repetir a dose”, orienta o nutrólogo Marcos Aurélio Ogando. E não adianta tentar pregar uma peça no organismo estendendo o tempo de abstinência. É comum as pessoas deixarem de ser alérgicas depois de tirarem por um ou mais anos o alimento da dieta, mas de acordo com Ogando, em alguns casos, independente do tempo que passar, os sintomas reaparecerão caso o bendito alimento seja ingerido de novo. “Nosso sistema tem memória imunológica, por isso, mesmo passado um tempo as reações serão as mesmas”, completa. Às vezes a alergia dá o ar da graça depois de anos. E aí, é normal? “Pode acontecer. Isso porque houve alteração na resistência da barreira do intestino, decorrente talvez de uma outra doença. Assim a absorção de proteínas não é feita corretamente”, explica Roberval Antonelli. POR QUÊ? As causas da alergia alimentar são muitas. Herança genética, sistema imunológico imaturo e flora intestinal deficiente são as mais freqüentes. Por isso, evitar alimentos que causem alergia em pessoas da sua família, tomar leite fermentado e iogurtes e não comer algo muito diferente do que se está acostumado pode evitar que você experimente esta sensação, no mínimo, incômoda. “A alergia pode ter raiz também na infância. Hoje há uma introdução precoce de alimentos industrializados na dieta de uma criança, algumas nem tomam leite materno. O organismo não absorve os nutrientes de que precisa e por isso não amadurece”, disse o doutor Antonelli.

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