Em um País onde tudo parece fazer parte de um jogo “perde-ganha” ou vice-versa uma excelente informação foi divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). O crescimento do faturamento das horas trabalhadas e do emprego industrial no primeiro trimestre de 2008 foi o maior dos últimos cinco anos, em relação ao último trimestre de 2007. A notícia soa positiva não apenas para os diretamente envolvidos, como também para as micro e pequenas empresas que, com a expansão industrial, igualmente ampliam seus negócios. Também foi recorde, segundo o governo, a criação de empregos com carteira assinada no primeiro quadrimestre do ano (janeiro a abril), nada menos que 848.962 postos, um crescimento de 21% sobre o mesmo período de 2007.
Pelo levantamento da CNI, na comparação entre os períodos trimestrais, o faturamento cresceu 1,8%, as horas trabalhadas subiram 2,1% e os postos de trabalho aumentaram 1,1%. Entre os setores que mais tiveram participação para o aumento de tais índices se destaca o de veículos automotivos, que respondeu por 50% do crescimento registrado. O segmento de máquinas e equipamentos, de metalurgia e de alimentos e bebidas também alimentou os dados positivos. Justamente nesses segmentos é que as micro e pequenas empresas pegam carona na expansão.
Se a produção das indústrias aumenta, cresce também a necessidade de fornecimento de mais insumos, estes oferecidos em grande escala por micro e pequenos empreendedores. Para atender aos pedidos, eles acabam investindo em melhorias, novas tecnologias e abrindo novas vagas de emprego, fechando um ciclo onde todos se beneficiam com o processo de desenvolvimento.
As boas notícias não param por aí. No mesmo período em que a CNI divulgou o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o Plano de Desenvolvimento Produtivo, um pacote de medidas de redução de custos financeiros e de incentivo de investimento e de exportação.
Entre as medidas contidas no programa, destacam-se a redução do custo de financiamento do BNDES e a ampliação dos subsídios aos setores exportadores, destinados aos setores de calçados, couros, móveis e têxteis; a eliminação do IOF na aquisição de bens de capital; a inclusão das empresas de informática na Lei do Bem, que prevê descontos tributários, além de outras desonerações.
A intenção é fazer do Brasil um dos maiores exportadores do mundo. O País tem reais condições de conseguir tal posição. Possui competência e know-how nos mais diversos segmentos, empreendedores empenhados em desenvolver cada vez mais seus negócios e um povo lutador, que não tem medo de arregaçar as mangas e colocar a mão na massa. Faltava apenas um apoio maior do governo. Agora, o cenário muda.
Milton Dallari
Diretor do Sebrae-SP e conselheiro da Associação dos Aposentados da Fundação Cesp
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