Oráculos desprezados


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A mãe natureza tem enviado oráculos aos povos do planeta, em séria advertência às agressões que tem sofrido, pela voracidade do lucro. Tenta-se justificar o desmatamento, a degradação das florestas e a insustentabilidade de projetos milionários. Furacões, tsunamis, tornados e tremores de terra têm tirado a vida de milhares de pessoas, destruindo cidades e sonhos. O assunto, no entanto, encontra-se banalizado e visto como se fora um filme de cujos horrores estarão livres seus espectadores: os seres viventes. Se a sociedade não avocar para si essa responsabilidade, com certeza teremos no futuro ossos ressequidos em forma de gente vagando sem destino pelas ruas, em busca de água e alimentos. “Diretamente do ano 2070, chega às nossas mãos uma carta. É um oráculo que conta como será a vida que deixamos à gente daquela década. O panorama é devastado, como uma ilha cercada de deserto por todos os lados. A aparência da população do futuro, nossos filhos, netos, bisnetos que dela fazem parte é horrível; corpos enrugados e desfalecidos, repletos de chagas abertas provocadas pelos raios ultravioletas, já que não existe mais a capa protetora de ozônio que os filtrava. A miséria é muito grande e possibilidade de emprego acabou com o fim da indústria. As fábricas dessalinizadoras são as principais fontes de emprego, com salários pagos em uma moeda chamada... água potável! A segurança é comprometida pela figura de ladrões que espreitam em cada esquina na intenção de roubar esse salário!!! A comida é 80% sintética. A aparência das pessoas demonstra pelo menos 20 anos mais que a idade cronológica. A idade média de vida é de 35 anos. A aparência, de 55 anos. A morfologia alterada dos espermatozóides de muitos têm contribuído para o nascimento de crianças com mutações e deformações jamais vistas. O ar de qualidade que se respira é pago aos governos e privilégio de poucos. Os que não possuem recursos para pagar são retirados das zonas chamadas ventiladas. Somente 137 metros cúbicos de ar adequado por dia por adulto que pode pagar é possível respirar nas zonas ventiladas, servidas por pulmões mecânicos que funcionam com energia solar. Em países do globo onde existem resquícios de vegetação e isto normalmente perto de um rio, são fortemente vigiados pela força militar dos respectivos exércitos nacionais. A água que hoje usamos para regar o jardim e lavar os automóveis, é para essa geração preciosa como o ouro. Por isso o banho de chuveiro há muito foi substituído por toalhas umedecidas com azeite mineral para limpar a pele, em meio a intenso calor. Os longos e belos cabelos dos tempos de Gisele Bündchen agora as mulheres raspam para manter a cabeça limpa sem água. As crianças desse tempo não acreditam que se lavavam carros com água e que essa água saía de uma mangueira. Não existe vegetação porque nunca chove, e o verde das árvores é algo que há muito não se vê. A cor é, inclusive, desconhecida por muitos. Advertiram-nos que devíamos cuidar do meio ambiente e ninguém fez caso. Quando minha filha pede que lhe fale de quando era jovem, descrevo o bonito dos campos, falo das chuvas, das flores, do agradável que era tomar banho, poder pescar nos rios e principalmente beber toda a água que quisesse. E então ela me pergunta: ‘Papai por que acabou a água?’. Um nó na garganta me brinda. Pertenço à geração que destruiu o meio ambiente sem levar em conta os oráculos proferidos pela natureza. Como gostaria de voltar atrás. Como gostaria de ver, de novo, o verde, que não posso deixar de querer ‘ainda verde’.” CORTEM-LHE A CABEÇA! O Rei de Copas pediu a cabeça da ministra que queria um Brasil muito mais verde que amarelo. Marina Silva demitiu-se. Ministra morta, ministro posto! Os movimentos ambientalistas e as ONGs demonstram seríssimas preocupações com o substituto, Carlos Minc, que sempre deu alegrias às grandes, pequenas e médias companhias donas de projetos bilionários emperrados pela burocracia. Caiu Marina, ministra que preferiu o verde ao amarelo; cuja figura resgatou a credibilidade do governo federal nas questões ambientais graças ao seu rigor e parcimônia ao liberar autorizações. D’OLHO... NELE! O ministro do colete de seda e sorriso largo é sobejamente conhecido por uma carta no bolso de sua peça não convencional de vestuário: o pragmatismo destravador de projetos. Em três meses no Rio de Janeiro destravou 5 mil dos 15 mil projetos emperrados em sua secretaria de Estado do Meio Ambiente. Lula viu, gostou e chamou o companheiro, que deve permanecer no cargo enquanto o agronegócio concordar! NA, NANI, NANÃO! Minc chegou apoiado em sua fama midiática e seu sorriso. Promete ser a próxima vedete da mídia. Se o presidente não ficar enciumado, como acontece aqui na Franca, com certeza vai deitar e rolar com suas saudações “ambientalistas e libertárias”. Essa simpatia toda e euforia inicial não impediu o presidente Lula de proferir um solene “n - a - o - til” quando chegou cheio de bossa e pediu a cabeça do Mangabeira Unger e um milhãozinho para os cofres do ministério. Disse Lula: “aqui, ministro não manda, não! Quem manda aqui sou Eu!” NOTA DO EDITOR A coluna “Ética e Cidadania”, de Maria Ignez Tosello Archetti, não foi publicada nas duas últimas quinta-feiras por decisão editorial. Excepcionalmente, o texto que deveria ter saído ontem, é publicado hoje. O colunista Luiz Neto volta com sua “Cotidiano”, no próximo sábado. Pedimos desculpas a nossos leitores. Maria Ignez Archetti Consultora para o 3º setor, foi vereadora - mariaignez@comerciodafranca.com.br

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