Santo Antônio do Retiro, de onde partiu o ônibus, é um município de 7 mil habitantes e está localizado no norte de Minas Gerais. Os lavradores deixaram a cidade com destino a Cajuru quinta-feira à tarde. A distância é de 950 quilômetros. Faltava pouco mais de cem para chegarem ao destino.
O grupo pretendia passar os próximos dois meses trabalhando na colheita de café. Segundo os passageiros, havia 54 pessoas no interior do ônibus, inclusive crianças de colo. A maior parte era parente. Como ficariam um longo tempo distante de casa, aproveitaram o bagageiro do ônibus para transportar pertences pessoais.
No compartimento, havia duas motos, sacas de arroz e açúcar, abóboras, rádios, malas de roupas, uma antena de televisão, entre outros. Como o veículo ficou destruído, os lavradores tiveram de retirar os produtos e colocar no acostamento.
Foi sentada num monte de bolsas e segurando uma filha de quatro anos que a lavradora Marlene Pereira da Silva, 23, falou com a reportagem. “Eu estava dormindo e acordei com o baque. As coisas começaram a cair sobre a gente. Graças a Deus, minha filha e eu não machucamos, mas estou muito assustada”.
Maria Aparecida Silveira, 22, também estava dentro do ônibus. Com ela no banco, o filho de dois anos. Após o acidente, enquanto a mãe tentava entender o que aconteceu, a criança dormia em seus braços. “Eu estava acordada no fundo e não deu para enxergar nada. Só escutei o barulho e percebi quando o ônibus começou a dançar na pista. Começamos a gritar na hora. Meu filho caiu rolando em meus braços e vomitou. Não sei se ele se machucou”.
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Quase três horas depois, Waldeci Alves da Silva, 37, ainda estava assustado. Ele viajava ao lado de dez parentes, sendo quatro irmãos. “A gente sai animado de casa para trabalhar e acontece um negócio destes. É complicado para nós e para os familiares que deixamos. Tenho mulher e dois filhos. Até agora, não consegui falar com eles e contar o que aconteceu. Por mim, largava da viagem e voltava para casa”, disse, sem conseguir segurar as lágrimas.
Como a maioria das famílias é da zona rural e não tem telefone, os lavradores ficaram sem ter como informar seus parentes do ocorrido. Contaram com a boa vontade de conhecidos para passar a notícia. O grupo esperou uma nova condução para chegar a Cajuru.
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