Temos fome


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Caiu por terra nesta semana o bloqueio da União Européia à carne bovina brasileira. O tema vinha sendo discutido pela Organização Mundial de Saúde Animal desde 2005 e a solução para a polêmica surge exatamente em meio a uma das mais evidentes crises de alimentos que se tem notícia. A carne bovina representa uma importante fonte de proteína animal para a nutrição humana e é sem dúvida nenhuma uma importante mercadoria do mundo globalizado. Rico em terras agricultáveis e absolutamente auto-sustentáveis em fontes de água potável, o Brasil apresenta irrefutáveis características para ser cada vez mais o celeiro do mundo. A notícia anunciada pelo Ministro da Agricultura reforça a tese de que temos condições de produzir alimentos com a qualidade que o exigente mercado europeu gosta. O que preocupa é o número de fazendas autorizadas a produzir carne bovina com destino à Europa. Num País de dimensões continentais como o Brasil e com vocação agropecuária inquestionável é no mínimo estranho que apenas um pequeno e seleto grupo de produtores consiga atender às exigências sanitárias do velho mundo. Em recente conversa com um importante nome do agronegócio brasileiro fui informado de que não só a carne, mas também o leite e principalmente o queijo produzidos e comercializados no Brasil nem sempre obedecem às normas sanitárias. No caso específico da carne bovina já é possível notar tendências de mercado que comprovam não só a situação irregular de parte do mercado como também a percepção do consumidor sobre a necessidade de exigir qualidade. Um exemplo é o fato de duas das maiores redes de supermercados do País estarem investindo na qualificação de fazendas fornecedoras de carne. O projeto poderia ser chamado de “carne saudável” e representa um hiato entre o convencional e o orgânico. É curioso que em meio a tanta preocupação com a quantidade de alimentos disponível no mundo os temas qualidade e segurança dos alimentos também façam parte da pauta de ações exeqüíveis. É salutar perceber que setores diretamente envolvidos com a produção e a comercialização de alimentos passam a dedicar parte de seus esforços na busca da qualidade de seus produtos. Dessa forma é possível pensar em um País com condições para ser o celeiro do mundo, mas um celeiro de alimentos saudáveis e efetivamente seguros. E que tais alimentos não sirvam apenas a mesa do desenvolvido povo europeu, mas também alimente nossas crianças, nossos trabalhadores e nossos velhos, afinal de contas se temos fome de alimentos também temos fome de qualidade. Alexandre Henrique Leonel Farmacêutico, integrante do Conselho de Leitores do Comércio

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