O valor da cesta básica em Franca subiu 42,85% nos últimos 12 meses. Uma pesquisa do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais), vinculado ao Uni-Facef (Centro Universitário de Franca), revela que o preço médio passou de R$ 133, em junho de 2007, para os atuais R$ 188,3. O instituto faz pesquisa do custo da cesta básica e sua evolução mês a mês. Consultados, os consumidores disseram estar sem ânimo na hora de ir às compras.
Se comparado a abril de 2008, o valor da cesta praticado em maio manteve-se quase estável. O aumento, nesse caso, foi de pouco mais de 2%. Observados isoladamente, no entanto, itens como o arroz e a batata tiveram reajustes muito acima de qualquer outro, com 28,86% e 43,3%, respectivamente. Em seguida aparece o pão francês, que no mesmo período teve aumento médio de 10,64%.
A explicação para que o preço médio da cesta básica tenha sofrido uma variação pequena nos últimos 30 dias está no declínio de alguns preços. O óleo de soja, por exemplo, teve variação negativa de 1,75%.
No principal produtor mundial de grãos, o consumidor vem sentindo no caixa do supermercado a dificuldade em manter o poder de compra. Em três estabelecimentos de médio porte visitados pela reportagem, a reclamação foi unânime: nem pesquisando preços está sendo possível comprar o necessário.
Numa tarde de sexta-feira, o técnico em contabilidade Jorge Meleti, 55, escolhia, ao lado do neto, alguns legumes em um supermercado da cidade. Perguntado sobre a alta nos preços, demonstrou preocupação. “Não sei aonde iremos parar. Eu ainda posso comprar, mas e quem recebe pelo salário-mínimo, como faz?”, ponderou. “O mais assustador é ver no noticiário que o preço não vai baixar”.
Já a dona de casa Lélia Salomão estava inconformada com os preços de alguns legumes. “Não compro porque acho desaforo. Como outra coisa, mas não levo nesse preço”, disse ela, referindo-se ao quilo da vagem, na semana passada comercializada a quase R$ 6.
Para o empresário Caio César Patrocínio, 49, sócio de uma rede com oito supermercados, o mercado está apontando para uma redução nos preços da cesta básica. Em sua opinião, de nada teria adiantado os agricultores segurarem seu produto para poder lucrar com o aumento dos preços. “O consumidor deixou de comprar. Com a compra menor, forçamos o produtor a diminuir seus preços”’, afirmou.
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