Oito anos. Esse é o prazo que a Calçados Agabê pediu à Justiça para zerar R$ 13,8 milhões de dívidas com trabalhadores, fornecedores e bancos. A lista oficial de todos os credores da empresa está publicada no caderno Classificados do Comércio, na edição de hoje. A listagem traz valores corrigidos e um diferencial da primeira publicada em março: o valor está menor. A Agabê conseguiu negociar e quitar quase R$ 5 milhões de dívidas.
Além da lista, a empresa anuncia que seu plano de recuperação estará disponível aos credores até o dia 30 de junho, na 2ª Vara Cível do Fórum de Franca.
Pelo plano de recuperação, que nada mais é que uma proposta de pagamento de dívidas e retomada dos negócios, os ex-funcionários serão os primeiros a receber. Se tudo correr como o planejado, a Agabê terá quitado as dívidas trabalhistas (R$ 2,7 milhões) até julho de 2009. Em seguida, ela pagará os terceirizados - bancas de corte e pesponto. No caso dos fornecedores, a empresa ganhará um fôlego de até dois anos para quitar os débitos (R$ 5 milhões). Já os bancos (R$ 6,1 milhões) receberão em até 8 anos.
Para colocar em prática o plano, a Agabê precisa do aval oficial dos credores. Se no prazo de 30 dias ninguém se manifestar, o juiz homologará o processo e os prazos começam a correr.
Extra-oficialmente, os credores já concordaram com a proposta.
Reginaldo Sthephanelli, advogado da Agabê, disse que a empresa se dispôs a vender imóveis, avaliados em R$ 23 milhões, para obter recursos e quitar as dívidas. “A negociação de dois imóveis está na reta final. Com isso, a empresa espera antecipar os pagamentos para 5 anos”, explicou Sthephanelli.
Enquanto negocia suas dívidas, a Agabê continua produzindo. Atualmente são fabricados 350 pares de calçados por dia nas fábricas licenciadas de Franca. Em Aracati (CE), a empresa mantém a filial com 304 funcionários e uma produção diária de #2 mil pares.
Segundo Sthephanelli, os planos dos diretores é voltar a contratar e produzir na cidade. “Assim que ela (a empresa) conseguir um capital de giro, a intenção é voltar com a produção própria, sim”, disse, sem estipular prazos.
FIM DA PRODUÇÃO
No dia 1º de fevereiro, a Calçados Agabê fechou as portas e demitiu 500 funcionários de uma só vez. A empresa, que já chegou a ter 3 mil funcionários e produzir 10 mil pares de calçados por dia, foi a terceira grande fábrica da cidade a encerrar produção em menos de dois anos.
Antes dela, a Calçados Samello já havia paralisado suas atividades, em outubro de 2006. Depois foi a vez da Sândalo, que fechou as portas, mas mantém a fabricação de calçados em Franca nas fábricas licenciadas. Tanto a Samello quanto a Sândalo também está em processo de recuperação judicial.
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