A República está de luto, empobreceu... Um vazio se faz presente no Congresso Nacional. A Casa dos atores políticos dos Estados da federação perdeu seu “pulmão” ético. A Casa se torna, agora e inevitavelmente, mais pusilânime, medrosa, covarde... sem aquela figura franzina, de baixa estatura...
O homem surgiu ao Norte da nação. Senador por Amazonas. Era professor, advogado, político e tinha “carpinteiro” no sobrenome. Jefferson Carpinteiro Peres - o pequeno-grande homem que ajudou a talhar (habilidade da função que levava no nome) a política brasileira, dando-lhe belos contornos e formatos esteticamente virtuosos, segundo os próprios conceitos que seguia, o nobre senador. Desenhou sua obra simetricamente pautado na dignidade humana e, acima de tudo, cultivando profundo respeito pelo povo brasileiro.
Com a sua morte, perdemos um dos maiores expoentes da ética na política de todos os tempos. Ver e ouvir o senador “Jeff” pela TV Senado era uma boa dica para se politizar. Imagino que um dos maiores privilégios que o homem pode ter na vida é o de ouvir outro homem cuja inteligência lúcida e combativa flui naturalmente livre de demagogia e de sofismas. Jeff conseguia envolver quem o ouvia usando da ferramenta mais poderosa do mundo: a verdade.
Sua oratória era impecável: sintética, objetiva e clara. Com seu modo polido de ser, erigia suas idéias e posicionamentos com argumentos contundentes. Seus colegas de senado pegavam carona na História, pedindo apartes apenas terem a honra de interagir com aquele pequeno-grande homem.
Numa de suas últimas falas, ferrenho e intrépido, dizia que “tinha milhares de inimigos, elegendo todos os canalhas de todos os matizes como seus inimigos, deixando claro que não era como eles; que a ética para ele, não era pose, não era bandeira eleitoral; não era a construção artificial de imagem para uso externo. Ética para ele era compromisso de vida! E era tão natural como o respirar”.
O senador Jefferson Peres sabia para onde ia e caminhava com passos firmes, mesmo sozinho em alguns momentos por não se curvar aos “manjares da corrupção”, sobrevivendo firmemente em meio a “raposas carniceiras” que o rondavam. O pequeno-grande homem conseguiu passar pela vida, construir sua trajetória, provando ser possível ser honesto e leal aos mais caros princípios da virtude que o caracterizava.
Siga em paz, nobre senador da República que fez seu trabalho doando de si o melhor que tinha, a sua vida! Siga em paz, distinto senador da República... Não caberia ao senhor a música de protesto “Brasil” cantada por Gal Costa. O seu comportamento sempre foi antagônico ao que vem acontecendo no País. Você, senador, não teve “negócio”, não tinha “sócio”. Muito ao contrário, “mostrou sua cara” e “não nos traiu”. Siga em paz, pequeno-grande homem da República, e que o justo prêmio o encontre onde quer que estejas...
Ricardo Veríssimo Júnior
Funcionário público, ex-conselheiro da Saúde, conselheiro do Comércio
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