Escola da Apae pode acabar em dois anos


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EM AULA - Crianças estudam numa das salas especiais Apae de Franca; inserção na rede pública preocupa pais e professores
EM AULA - Crianças estudam numa das salas especiais Apae de Franca; inserção na rede pública preocupa pais e professores
Uma determinação do MEC (Ministério da Educação e Cultura) pode levar a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Franca a fechar sua escola de educação especial até 2010. A nova regra propõe que portadores de necessidades especiais estudem em salas comuns. Com a medida, a Apae da cidade terá que inserir 361 alunos com deficiência, de 6 a 14 anos, que estudam no local, no sistema público de ensino. As redes estadual e municipal já contam com alguns destes alunos e estão em processo de capacitação dos profissionais. A norma ainda está em trâmite em Brasília e não houve notificação oficial à Apae, mas já causa polêmica. Segundo pessoas envolvidas com este tipo de educação, existem experiências negativas na inserção. A preocupação é tanta que reuniões do Movimento Apaeano do Estado de São Paulo discutem uma forma de barrar a aprovação dessa política pública. Em Franca, está previsto um encontro - ainda sem data marcada - entre a Apae, o Ministério Público, a Secretaria Municipal de Educação e a Diretoria Regional de Ensino para discutir o assunto. Para a direção da Apae, a inclusão deve ocorrer, mas de forma gradual, conforme os avanços de cada aluno. “Não temos certeza se haverá a garantia de aprendizado da criança. Haverá inserção, mas não inclusão”, disse Niura Costa Agostini, diretora da Apae, referindo-se às eventuais dificuldades de adaptação. Em 2007, a instituição matriculou na rede regular sete deficientes. Quatro deles não conseguiram se adaptar. Nesse ano, outros quatro foram enviados. Mais 24 estão em fase de preparação. “Não sabemos se dará certo, só o tempo dirá”, afirmou a coordenadora da escola de Educação Especial “João Maria Vianey”, da Apae, Denise Ramos. De acordo com a Apae, outro problema é o efeito inverso. Dos 74 pedidos de vagas da lista de espera da associação, mais de 50 são de pais de alunos excepcionais que estão na rede regular e querem os filhos na escola especial. O motivo é um só: as escolas não oferecem atendimento adequado. Para Denise, as escolas, professores e funcionários precisam estar preparados para receber esse tipo de aluno, sob pena de parar o aprendizado da criança ou adolescente. “Até a forma de avaliação deverá ser diferente. Além disso, o espaço físico também terá de passar por mudanças”, disse. PREOCUPAÇÃO Outro desafio a ser enfrentado é a resistência das famílias dos deficientes à mudança. Silvia Helena da Silva, assistente social da instituição, disse que 90% dos pais são contra a inserção na rede regular. “As mães não querem que os filhos sofram. Por isso, pedem pela permanência deles aqui. Nós ficamos de mãos atadas”, afirmou. Embora a Apae possa ficar sem a educação especial, outras atividades voltadas aos excepcionais serão mantidas, entre elas, o ensino profissionalizante e os atendimentos ambulatoriais.

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