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Se você ainda é do tipo de homem que não se preocupa com o visual e não vê problemas em usar aquelas cuecas surradas, encardidas e desbeiçadas, precisa rever com urgência seus conceitos. Elas andam meio “brochantes” não acha?! Foi-se o tempo em que comprar peças íntimas era coisa de “mulherzinha” e, por isso, a cueca era considerada apenas uma roupa de baixo que vivia coberta pelos shorts e calças. Incorporadas para o mundo da moda desde meados dos anos 80, elas são agora peças “outwear”, ou seja, podem e devem ficar à mostra, desde que prevaleça o bom-senso, habilidade indispensável quando o assunto é moda. E se engana quem pensa que para acompanhar as tendências é preciso transformar-se em um metrossexual* fanático. Nada disso. Basta abusar dos novos modelos, cores, tecidos e tecnologias de fabricação disponíveis no mercado sem deixar de lado o conforto e o estilo. A mulherada agradece! Para os tradicionais ou gordinhos, o modelo mais indicado ainda continua sendo o slip, aquele cavado. Nesse caso, a novidade fica por conta dos tecidos feitos de microfibras sintéticas que se adaptam melhor ao corpo, como a poliamida, poliester, viscose, lycra, cotton e o modal, e as cores inusitadas como o azul royal, roxo, vermelho, verde, laranja, turquesa, amarelo e marrom. “Vale lembrar que as mudanças não seguem somente os impulsos da vaidade. Garantir conforto, resistência e qualidade de vida também é uma preocupação dos fabricantes que vêm inovando até com o lançamento de tecidos antibacterianos”, disse o diretor do curso de moda da Unifran (Universidade de Franca), Julius Pimenta. Essas vantagens também podem ser encontradas nas cuecas boxer, modelo semelhante a um short justo encontrado em tamanhos diferentes e que, segundo usuários, garantem maior conforto e sustentabilidade. “Homens com corpo em cima ficam bem com qualquer coisa, mas se a pessoa estiver acima do peso, a cueca slip evita que o tecido fique esfregando na pele, o que pode machucá-la e causar alergias. A boxer é mais firme”, completa Julius. Outra novidade é o sungão. Um modelo intermediário entre a boxer e a slip que mais parece roupa de banho. A tecnologia “sem costura” também tem chamado a atenção dos homens justamente por possuir costura apenas na bainha, no cós** e nenhuma etiqueta. Sem contar que é cheia de “minipregas”, técnica que garante formato anatômico e maior mobilidade à peça. “Elas são feitas em uma máquina semelhante à de fabricar meias. Como têm menos costura tendem a oferecer mais conforto, o que não é regra, uma vez que a fabricação das cuecas está evoluindo tão rápido que a diferença entre os modelos estão cada vez menos acentuados”, disse o diretor comercial da Mash (empresa especializada em vestuário íntimo masculino há 40 anos), Hélio Oliveira Júnior. Mas as peças com elásticos aparentes são mesmo a sensação do momento e prometem permanecer em alta. “Ao contrário das calças femininas que vieram com o cós alto, as masculinas ainda permanecem baixas, logo os meninos podem abusar dos elásticos à mostra”, recomenda Julius. Júnior concorda e confirma a preferência, principalmente dos jovens, pela novidade. “Cerca de 60% de toda a coleção da Mash tem hoje elástico aparente. A aceitação foi grande”. Os amantes da samba-canção e aquelas feitas em algodão nas tonalidades comuns como preto, branco, azul, bege e cinza não precisam se desesperar. Mesmo tradicionais, elas não foram abolidas das gavetas. Podem ser usadas à vontade...ou melhor, até que percam a aparência de novas e bem cuidadas. VOCÊ SABIA? O exemplo mais antigo da roupa íntima masculina surgiu com os homens das cavernas. Na época não passava de um longo pedaço de linho moldado como um triângulo com tiras nas pontas que eram amarradas ao redor dos quadris. No século 12, com o desenvolvimento das armaduras de platina, os cavaleiros começaram a usar faixas de linho como proteção para os órgãos genitais do metal áspero. Mais tarde, as cuecas encurtaram e passaram a ser costuradas. No século 16 eram feitas de linho, único tecido lavável. Na década de 1830, o uso da flanela e do algodão tornou-se comum. Depois, as cuecas passaram a ser fabricadas com tecidos e elásticos e se tornaram mais confortáveis. A samba-canção se popularizou nos anos 80. Na década seguinte as cuecas ganharam características semelhantes às dos modelos atuais.

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