Os vereadores decidiram adiar por uma sessão, ontem, na Câmara, a votação dos dois projetos de lei que determinam, respectivamente, os valores dos salários deles próprios e dos agentes políticos ligados ao Executivo (prefeito, vice-prefeito e secretários municipais) para os próximos quatro anos. A justificativa oficial para a prorrogação foi a de que era necessário “estudar melhor o assunto”.
Na prática, a motivação teria sido outra. Rui Engrácia (PSDB) apresentou uma emenda para elevar o ordenado dos secretários dos atuais R$ 4,8 mil para R$ 7,4 mil, um índice de aumento de 55%. Bem destoantes do projeto original, que limita os reajustes nos 4%, ou seja, no índice percentual da inflação. A iniciativa causou mal-estar - por temor da opinião pública - e o adiamento foi a solução encontrada pelos outros parlamentares tucanos para evitar desgastes para a bancada.
Enquanto no plenário outros projetos - que precediam os dois em questão - eram discutidos, nos bastidores, o clima era quente. Os vereadores cochichavam, entreolhavam-se, abaixavam e balançavam negativamente a cabeça. Era nítido o clima pesado. Graciela Ambrósio (PP) dizia, em uma rodinha, que aquilo “era inconcebível”. Questionada, desconversou. “Não é nada de mais”.
Quando chegou o momento da votação, a surpresa. Primeiro, Jepy Pereira (PSDB) pediu o adiamento do projeto que mantinha como estão os salários do Executivo. Foi aprovado de pronto. Na sequência, Marcelo Valim (PSDB) fez o mesmo em relação à matéria do Legislativo. Mais uma vez, ninguém se opôs. Os dois adiamentos ocorreram em menos de cinco minutos. A justificativa era uma só: de que o projeto deveria ser melhor discutido.
Engrácia disse que sugeriu o reajuste por achar que os secretários municipais ganham mal. Para ele, o cargo exige dedicação integral e deve ser melhor remunerado. “Uma cidade como Franca, de quase 350 mil habitantes, um secretário ganhar na faixa de R$ 5 mil é muito pouco. Para que o Executivo possa contratar gente com qualidade, é preciso oferecer um atrativo melhor”, disse.
Depois da polêmica e dos adiamentos, Rui recuou e desistiu do aumento. “Ninguém entendeu dessa maneira e eu retirei a emenda”.
RELUTÂNCIA
Inicialmente, a idéia de boa parte dos vereadores era dar aumento não só para secretários municipais, mas também para os vereadores da próxima legislatura. Em uma reunião a portas fechadas, realizada no dia 29 de abril, a idéia de pelo menos oito deles seria conceder um reajuste de quase 70% aos salários do Legislativo, elevando os valores de R$ 4,3 mil para R$ 7,2 mil, máximo permitido por lei (60% do salário de um deputado estadual).
Na hora de discutir abertamente o projeto, a maioria voltou atrás e desistiu da iniciativa.
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