Um estudo preparado pelo Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia) e apresentado ontem mostrou problemas em estruturas de cinco obras de Franca. O documento, que será encaminhado à Prefeitura, demonstra a má-conservação de quatro viadutos locais e de parte das margens do Córrego dos Bagres e aponta a necessidade de intervenções do poder público para a recuperação de suas estruturas. Os locais apontados receberam o selo de “Prazo de Validade Vencido” do sindicato.
Das infra-estruturas apontadas, apenas o leito e as bordas do Córrego dos Bagres, que já está em obras, teriam necessidade de intervenções mais rápidas por comprometerem a Avenida Doutor Hélio Palermo.
O estudo foi feito com base em visitas e observações em cada um dos pontos. Não houve laudo técnico para comprovar danos sérios em cada uma das construções. Mesmo assim, ele foi apresentado ontem pelo presidente do Sinaenco, João Alberto Manaus Corrêa; pelo delegado-regional do sindicato, Marcelo Medeiros de Souza, e pelo diretor da Aeaarf (Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos da Região de Franca), Júlio Cheade, como um alerta para a importância da manutenção das estruturas.
Os engenheiros visitaram as construções para apontar os principais problemas. Em uma delas, a Ponte Engenheiro José Ferraz de Camargo, que passa sobre a Avenida Doutor Hélio Palermo ligando a Rua Batatais entre os Jardins Maria e Higienópolis, foram verificadas a perda da cobertura de concreto em algumas partes e ferrugens nas armações de ferro expostas, além de infiltrações.
Nas rachaduras, plantas com caules grossos brotam do cimento em imagens que parecem surreais. O viaduto da Avenida Antônio Quintanilha, sobre a Doutor Ismael Alonso Y Alonso, teve a mesma avaliação, apesar de visualmente não ter tantos problemas.
As imperfeições mais sérias foram encontradas nos elevados da Rua General Teles, sobre a Hélio Palermo, e no que liga Franca a Restinga, passando por cima da Rodovia Fábio Talarico. No primeiro, existe uma rachadura no muro de contenção do aterro com espaço para uma mão. De acordo com Marcelo Medeiros, um estudo mais aprofundado poderia mostrar a necessidade de intervenção para se evitar um possível afundamento da rua acima. “É importante a verificação”, disse.
O elevado da “Fábio Talarico” teve avaliadas negativamente as marcas e lascas de concretos causadas por “abalroamentos” de caminhões sobre sua estrutura. “Em casos como este, é necessário um estudo para identificar uma eventual movimentação do pavimento”, disse o engenheiro.
Sobre o Córrego dos Bagres os engenheiros disseram que as obras seriam mais urgentes. De acordo com João Manaus, o estudo foi realizado na sexta-feira, dia 16 de maio. Na segunda-feira, dia 19, a Prefeitura de Franca havia iniciado os trabalhos de recuperação do trecho apontado.
O estudo aponta problemas nas estruturas, mas não apresenta soluções. Estas ficarão a cargo das prefeituras visitadas. Além de Franca, ainda passaram pela avaliação do sindicato pontes nas cidades de Araraquara, São Carlos e Ribeirão Preto.
LAUDOS
Os estudos apresentados pelo Sinaenco ontem, apesar de apontar problemas estruturais sérios em cinco pontos da cidade, não justificam interdições em nenhuma das obras. “As constatações servem como um alerta para que esses problemas sejam solucionados, para que a ação do tempo e o uso não deteriorem ainda mais as construções e piorem a situação”, disse João Alberto Manaus Corrêa.
Para saber se há outros danos mais sérios que prejudiquem a estrutura das construções observadas, a Prefeitura precisaria realizar estudos profundos e mais demorados. “Não temos como fazer isso. Queremos apenas alertar as autoridades para o problema para que elas tomem as providências que considerarem necessárias”.
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Ontem, às 17 horas, a secretária de Planejamento Urbano, Valéria Marson, foi procurada para comentar os apontamentos do Sinaenco mas não foi encontrada. Segundo sua secretária, ela estaria em São Paulo para encontros oficiais. Um engenheiro da Prefeitura, que não poderia se manifestar oficialmente, informou que o órgão ainda não havia recebido o documento do sindicato formalmente. Segundo este engenheiro, a secretaria só deveria se manifestar sobre as obras após receber e analisar as informações contidas nele.
A Secretaria de Planejamento Urbano também não soube informar o número total de pontes em Franca e suas respectivas datas de inauguração, o que deveria ser pedido com tempo hábil para consulta do órgão.
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