Empresário é seqüestrado e família vira refém de bando


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Os bandidos - O menor DAP, 17, e Rafael Ferreira se rendem ao serem enquadrados por policiais, em meio ao matagal.
Os bandidos - O menor DAP, 17, e Rafael Ferreira se rendem ao serem enquadrados por policiais, em meio ao matagal.
Um empresário, sua mulher e seus quatro filhos foram mantidos reféns de uma quadrilha de bandidos da região de Campinas por quatro horas na manhã de ontem. A tentativa de assalto começou antes das 7 horas e só acabou depois de uma ação conjunta das Polícias Civil e Militar que mobilizou 30 policiais e foi acompanhada na íntegra pelo Comércio e pela Rádio Difusora. Ligado ao setor de componentes para calçados, o empresário Paulo Sérgio de Souza, 39, deixava sua chácara no Condomínio Lua Dourada - estrada Franca/Ibiraci (MG) - para levar dois de seus filhos menores à escola, no Jardim Brasilândia, às 6h50. No momento em que tirava seu Palio azul da garagem, foi rendido por três criminosos armados com uma pistola 635, um revólver calibre 38 e uma espingarda, além de farta munição. “Eles bateram com o cano da espingarda no vidro do carro e falaram que era um assalto. Me mandaram entrar”. O empresário, a mulher e os quatro filhos - um de 1,8 ano e os demais com nove, 14 e 18 anos, foram levados para o quarto. Enquanto a família era amarrada com fita crepe e amordaçada, Paulo Sérgio permanecia com uma arma apontada para sua nuca. Foi neste momento que o bandido fez um disparo acidental. “O tiro quase pega a minha cabeça. Passou muito perto. Estou surdo até agora. Alguns estilhaços ficaram na minha blusa. O projétil estourou a porta e abriu um buraco na parede do banheiro. Eles disseram que tinham sido mandados por um ex-patrão meu, de Americana, para levantar um dinheiro aqui para ele poder pagar o que me devia”, disse Paulo. Paulo Sérgio teria trabalhado para o empresário de Americana há três anos e estaria movendo uma ação trabalhista contra o antigo patrão. Segundo sua versão, os assaltantes exigiam R$ 175 mil. Com os familiares vigiados por dois homens armados, o empresário foi obrigado a deixar a chácara com um terceiro criminoso para tentar levantar o dinheiro com amigos em Franca. A vítima dirigia o Palio e levava o criminoso, que não estava armado, no banco do passageiro da frente. A idéia era vir para o Centro da cidade. Durante o trajeto, Paulo procurou ganhar a confiança do bandido e não esboçou nenhuma reação ao cruzar com duas viaturas da PM na entrada da cidade, mas, quando passavam pela Rua Prudente de Morais, cruzamento com a Major Mendonça, na Cidade Nova, Paulo Sérgio avistou os soldados João Batista e Reis atendendo a uma ocorrência de acidente de trânsito e arriscou a própria vida e dos familiares. “Empurrei ele contra a porta e freei bruscamente. Desci correndo e pedi ajuda aos policiais”. Eram 10h50. Eduardo Alves de Lima, 26, não teve tempo de fugir e foi preso em flagrante pelos soldados na mesma esquina. Morador em Hortolândia, já havia cumprido quatro anos de cadeia por roubo à mão armada. A Rádio Difusora divulgou sua prisão ao vivo. O quarto integrante da quadrilha, que esperava o retorno dos criminosos em um veículo parado próximo à chácara, teria ouvido a notícia e ligado para os dois bandidos que mantinham a família como refém, avisando sobre a prisão de Eduardo. Os dois resolveram, então, abandonar os cinco reféns e saíram correndo para os fundos da propriedade. Neste momento, os integrantes do GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil já faziam buscas nos condomínios de chácaras vizinhas. “Quando passávamos por uma estrada de terra, avistei, de longe, dois indivíduos correndo. Eles entraram em um milharal e tentaram se esconder”, contou o investigador Régis. Os policiais efetuaram disparos de advertência e avisaram aos ladrões que estavam encurralados. Eles perceberam que não teriam chances em um confronto e resolveram jogar suas armas no chão e se entregarem. Eram 11h20 no momento em que um adolescente de 17 - natural de Sumaré e que já tem passagem por homicídio - e Rafael Ferreira da Rosa, 20, também de Sumaré, foram presos. Dez minutos depois, Michel Rosselo, 20, natural de São Caetano, também foi detido por uma equipe da Polícia Militar próximo da divisa de Franca com Ibiraci. Ele dirigia um Santana e alegou ter recebido R$ 400 para trabalhar como motorista dos outros três assaltantes. Todos foram levados à sede da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e autuados em flagrante por extorsão, cárcere privado e formação de quadrilha. Estão na cadeia do Jardim Guanabara. [FOTO2] Na bolsa apreendida com eles, os policiais encontraram um bilhete - que teria sido escrito pelo empresário de Americana, suposto mandante do assalto - com informações detalhadas sobre a rotina da família mantida como refém. No papel, dicas sobre a cor, placas e modelo do carro da vítima, o endereço onde morava, a localização exata da escola do filho e horário em que o garoto estuda. “Ele entra às 7 horas e sai às 11 horas. A escola fica na Avenida Major Elias Mota. É uma travessa da Avenida Brasil”. Em caso de dúvida, o bilhete também dava dicas sobre o endereço dos pais do empresário no Jardim Seminário. Nos celulares apreendidos, havia o número do homem que teria encomendado o crime. Todos os materiais foram apreendidos, serão periciados e anexados ao inquérito policial. Um dos assaltantes alegou que vieram a Franca para cobrar uma suposta dívida que a vítima teria com o homem que os contratou. Para o delegado Márcio Garcia Murari, a justificativa em nada muda a situação dos criminosos. “Se realmente existe a dívida, seja trabalhista ou não, eles usaram um método ilegal para cobrá-la. Ocorreu um crime. Diante disto, todos foram indiciados e presos. Agora, vamos identificar e pedir a prisão do mandante. Ele responderá por co-autoria em todos os artigos dos comparsas”.

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