Uma arte marcial originada na Coréia dois mil anos atrás chegou a Franca há apenas seis anos e vem conquistando cada dia mais adeptos na cidade. O hapkido, que traduzido literalmente para o português, significa caminho da união, coordenação e harmonia da energia universal, está subindo na preferência dos lutadores francanos.
Durante os treinamentos da modalidade, os lutadores aprendem técnicas de ataque, projeção, queda, saltos acrobáticos, golpes, torções e imobilizações. Em algumas ocasiões, também são utilizadas armas, como espadas, nuchako e facas.
Outra característica básica do hapkido é a utilização da força e do corpo do oponente para vencê-lo. Justamente por este quesito, várias autoridades policiais incluíram esta luta nos treinamentos dos contingentes. “O primeiro objetivo da polícia, seja ela civil ou militar, é prender os suspeitos sem lhes causar nenhum tipo de ferimento. Como esta é uma das bases dos treinamentos do hapkido, o trabalho se encaixou perfeitamente”, disse o grão mestre Sérgio Fernandes, que pratica a luta há mais de 30 anos e vive no Japão, onde possui três academias.
Recentemente, os integrantes do Bope (Batalhão de Operações Especiais), que ficou famoso após a produção do filme Tropa de Elite, receberam uma palestra e treinaram com Fernandes, que passou aos policiais noções básicas de imobilizações de hapkido. Na semana passada, foi a vez dos membros da Polícia Militar de Franca assistirem a uma apresentação da luta.
Há duas semanas, o complexo esportivo da Unifran sediou dois eventos relacionados à modalidade. No primeiro dia, aconteceram os Jogos Brasileiros de hapkido. Mais de 150 atletas, dos Estados de São Paulo e Minas gerais, estiveram em Franca para competir. Na seqüência, houve o Seminário Internacional de Hapkido.
CARACTERÍSTICAS
Outra característica que diferencia os lutadores de outras artes marciais para os adeptos do hapkido são as vestimentas. Enquanto judocas e caratecas, entre outros, habitualmente usam roupas (quimonos) brancas ou azuis, a cor preta predomina entre os hapkdoístas, cuja indumentária é chamada de Doboc (pronuncia-se “dobô”).
O responsável pela introdução do Hapkido em Franca é Danilo Magalhães, que possui uma academia na cidade, com cem alunos matriculados. Estudante do segundo ano de Educação Física, Magalhães afirma que vive exclusivamente das aulas que ministra. “Tenho uma vida tranqüila, pago minha faculdade, as parcelas da minha moto e todas as minhas contas somente com a renda que tiro da academia. Não cometo extravagâncias, mas vivo tranqüilamente”, disse.
Cada aluno paga R$ 50 mensais e as aulas acontecem diariamente, de segunda a sexta, inclusive no horário noturno.
Para ministrar aulas de Hapkido, o lutador tem que conseguir a faixa preta, além de certificados nas confederações brasileira e internacional da modalidade. Recentemente, outra exigência é possuir diploma de graduação em Educação Física. Na Unifran, as mensalidades do curso que dura quatro anos custam R$ 505.
Ao contrário do que muitos imaginam, a prática do hapkido não atrai só homens para os tatames. Exemplo disso é a tradutora Vanessa Vanin Rodrigues, 21, que treina há um ano. A atração pela luta surgiu pelo condicionamento e mental que o hapkido proporciona. “Dá para unir o útil ao agradável, pois além de cuidar do corpo e da mente, ainda é uma forma de defesa pessoal”, disse.
O Instituto Dok Su Ri, única academia de hapkido em Franca, fica na Avenida Eliza Verzola Gosuen 1875, na Vila Industrial. A escola aceita alunos com idades acima de 6 anos. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 9234-9857, ou pelo site www.hkd.com.br.
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