O episódio envolvendo o roubo de quatro caça-níqueis do estacionamento da Delegacia Seccional, quinta-feira, revelou outro problema além da falta de segurança (e da aparente corrupção) nos prédios da própria polícia. As autoridades não têm onde colocar as máquinas apreendidas na cidade. Sem uma destinação adequada por parte da Justiça, elas ficam amontadas em delegacias ou se deteriorando com a ação do tempo em terrenos.
No dia 1º de abril do ano passado, o Comércio publicou matéria denunciando que, mesmo proibidas, havia mais de mil caça-níqueis espalhadas por bares, restaurantes e padarias de toda a cidade. O esquema era comandado por uma rede organizada que movimentaria pelo menos R$ 2 milhões por mês. Vinte dias depois, a Polícia Civil fez uma operação para apreender as máquinas, mas elas já haviam sido recolhidas pela rede que explora a jogatina. No mesmo mês, a Polícia Federal prendeu no País delegados, desembargadores e juízes. Eram suspeitos de receberem propinas para não fazerem apreensões e avisar os exploradores caso houvesse alguma operação contra o jogo. No roubo de quinta-feira, 22, dois policiais civis do 1º DP, no Centro de Franca, são suspeitos de terem facilitado a ação dos ladrões. Eles devem ser removidos amanhã.
Aos poucos, as máquinas caça-níqueis voltaram a ser exploradas, principalmente, na periferia da cidade. Quase todos os dias, a polícia realiza alguma apreensão. Se por um lado significam o cumprimento da lei, por outro acabam gerando um grande problema. Todas as delegacias de Franca estão lotadas dos equipamentos. De grande porte, eles ocupam os espaços, atrapalhando o trabalho dos policiais e o atendimento ao público. No 1º DP, por exemplo, as pessoas que necessitam da polícia são obrigadas a passar espremidas entre o corredor e as máquinas.
A situação é ainda mais complexa na estação aduaneira da Receita Federal, em frente ao Batalhão da Polícia Militar. Em um terreno ao lado, centenas de caça-níqueis estão amontoadas ao relento e sofrendo a ação do sol e da chuva. Os equipamentos chegam a custar mais de R$ 5 mil cada e apresentam os mesmos componentes que computadores, como processador e placa-mãe. Alguns mais modernos já vêm com monitor. Poderiam ser adaptados e reutilizados por alunos, como já acontece em várias cidades.
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O delegado-assistente da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Eduardo Lopes Bonfim, informou que a Justiça autorizou a destruição de 52 máquinas, o que deverá acontecer ao longo desta semana. “Aguardamos novas autorizações para que elas não fiquem acumuladas nos distritos e tirando o espaço que pertence à população”.
Para o delegado seccional, Maury de Camargo Segui, a transformação dos equipamentos e sua utilização em projetos sociais seria uma boa alternativa, mas a burocracia estaria emperrando a adoção de soluções práticas. “Aqui em Franca estamos tendo dificuldades até para pedir a destruição. Confesso que cada apreensão que fazemos é um problema que a Polícia Civil arruma para ela mesma. Gostaria que as instituições envolvidas no combate a este tipo de infração compreendessem que todos precisamos trabalhar com o mesmo espírito. Que colaborassem dando uma destinação mais rápida. Isto, não está acontecendo”.
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