Depois de celebrarmos os mistérios pascais de nossa salvação através da Quaresma, do tríduo pascal, dos domingos da Páscoa, de pentecostes e a santíssima trindade, hoje retomamos a seqüência dos domingos do Tempo Comum.
Ao longo do tempo comum, na liturgia, fazemos memória do mistério da morte e ressurreição do Senhor e de seu povo. A palavra de Deus nos convidará a procurar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça.
O Reino de Deus é dom e exigência, é conquista e esperança, é história e, ao mesmo tempo, eternidade. Em cada domingo pediremos, com fé, o reino de Deus. A celebração da Eucaristia nos transforma em discípulos e missionários da Boa-Nova do Reino.
A palavra de Deus que será proclamada como primeira leitura da missa é do livro do profeta Isaías no capítulo 49.
Esta leitura coloca em discussão a imagem de Deus que formamos para nós, imagem à qual teimosamente nos apegamos e que nos convoca a aceitar um Deus que nos surpreende porque ama numa medida completamente gratuita. A mãe não ama seu filho porque ele é bom, mas porque é seu filho.
Deus ampara seu povo com amor de mãe. O amor de Deus por nós é maior do que o amor entranhável de uma mãe por seu bebê.
Uma vez escreveram assim: havia uma mãe que dormia tranqüila em meio ao bombardeio de uma guerra, mas acordava rapidamente diante do choro do seu pequenino filho.
Deus “não dorme” quando passamos pelas tribulações, ele está sempre atento, escutando nossos apelos e vem nos socorrer.
Deus é pai com zelo de mãe.
A segunda leitura é da 1ª Carta de Paulo aos cristãos de Corinto no capítulo 4.
Os cristãos de Corinto tinham se apegado demais às pessoas que a eles o haviam anunciado o Evangelho.
Paulo esclarece que os pregadores são servos, empregados, que trabalham para a comunidade e o patrão é Deus.
Do servo se pede que seja fiel no cumprimento daquilo que lhe foi confiado, que preste contas, com precisão, dos bens que administra.
Paulo ensina que os pregadores do evangelho devem ter somente uma preocupação: transmitir fielmente a mensagem do Mestre, sem nada acrescentar ou tirar.
Deus não lhes cobrará se convenceram muitas pessoas, se criaram muitas simpatias entre os homens, cobrará tão-somente se foram fiéis.
O evangelho é colhido no capítulo 6 de São Mateus. O texto se divide em duas partes e em cada uma delas é apresentado um perigo que deve ser totalmente evitado.
O primeiro é o apego ao dinheiro.
O perigo de que o dinheiro se transforme em senhor paira sobre todos: ricos e pobres.
Jesus afirma que existe um outro deus que faz tudo para ocupar o lugar do único Deus no coração do homem: o dinheiro.
Corremos o risco de amar ou substituir o único Deus pelos “ídolos”. Podem se transformar em ídolos o sexo, o esporte, o partido político, a bebida, a dança, a cultura. Todas essas coisas são boas, mas se tornam perigosas quando nos fazem perder o juízo, quando nos conduzem a praticar loucuras, quando absorvem todos os pensamentos e todos os interesses.
Todos os ídolos destroem o homem, porém, o pior de todos é o dinheiro. Quem adora o dinheiro tem tudo, mas não é mais um homem. Transforma-se num escravo. Por amor ao dinheiro o homem está disposto a enganar, a roubar, a matar, a arruinar a vida dos outros, a perder as amizades, até a renunciar ao afeto da mulher ou do marido e dos filhos, pois, não tem tempo para eles.
O outro perigo é desconfiar da Providência divina.
A inquietação, a aflição não trazem nada de bom, provocam somente desastres, acrescentam somente outro sofrimento ao que já existe.
O motivo pelo qual, mesmo diante das maiores dificuldades, é preciso manter a paz do coração, é a certeza de que a nossa vida está nas mãos de Deus.
Ele jamais abandona os seus filhos, acompanha-os sempre, abençoa seus esforços e seus compromissos.
As aves do céu e as flores do campo são coisas tão pequenas, entretanto Deus se interessa por elas: com muito mais razão acompanhará a vida dos seus filhos.
SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
Esta festa não é muito antiga no calendário litúrgico e celebra o amor de Deus, revelado em Cristo e manifestado sobretudo em sua paixão. O símbolo desse amor é o coração de Cristo ferido por nossos pecados. A devoção ao sagrado coração é devoção a Cristo mesmo.
Quando falamos do coração de Jesus ou de um coração humano expressamos o emblema perfeito do amor. O coração é o centro de nosso ser, a fonte de nossa personalidade, o lugar da misteriosa ação de Deus. O coração é o símbolo do amor.
O papa Pio XII, em sua encíclica “Haurietis aquas”, sobre a devoção ao sagrado coração de Jesus, publicada em 1956, preocupou-se em fundamentar essa devoção em suas fontes bíblicas. Afirma que esta devoção tem origens em dois textos do Novo Testamento, ambos do evangelho de São João: “quem tiver sede, venha a mim e beba; quem crê em mim, de meu coração jorrarão rios de água viva” (7, 37-38); “ao se aproximarem, de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e saiu sangue e água” (19, 33-34).
A ternura desta devoção é expressa nas palavras de um escritor medieval, Arnold de Bonneval: “Que doçura na abertura deste costado”! Ela nos revelou os tesouros da bondade de Jesus, a caridade que seu coração tem para conosco”.
O amor de Cristo não é reservado exclusivamente aos bons, mas abraça todos os homens, também os mais perdidos.
Celebre em sua paróquia a Festa do Sagrado Coração de Jesus.
PENSAMENTO
“Coração de Jesus, tornai o meu coração semelhante ao vosso”.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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