Crianças com mais de quatro anos são relegadas por pais na fila da adoção


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A IDADE PESA - Criança de pele morena, pronta para a adoção, segura boneca à espera de uma nova família em Franca. Ela e outras 12 crianças têm sido ‘rejeitadas’ por causa da idade avançada
A IDADE PESA - Criança de pele morena, pronta para a adoção, segura boneca à espera de uma nova família em Franca. Ela e outras 12 crianças têm sido ‘rejeitadas’ por causa da idade avançada
Negras e pardas, com idades entre 5 e 12 anos, vindas de famílias desajustadas. Esse é o perfil de 13 crianças que estão prontas para a adoção em Franca, mas que não conseguem ganhar um novo pai e uma nova mãe. Hoje, data em que se comemora o Dia Nacional da Adoção, as assistentes sociais do Fórum “Alberto de Azevedo” querem mudar esse cenário e incentivar a adoção tardia. Fila de interessados na adoção há, mas os dados do Serviço Social e de Psicologia mostram que a maioria dos candidatos da cidade quer bebês de até 1 ano e brancos. Das 53 pessoas (ou casais) inscritas atualmente para o processo de adoção, 76% só aceitam crianças até 2 anos. Do restante, oito pessoas pedem por meninos ou meninas de, no máximo, 3 anos, uma aceita que a criança tenha em média 3 anos e meio e outros três interessados não vêem problemas em adotar um filho com até 4 anos. De todos os candidatos na fila de espera, somente um manifestou desejo em adotar uma criança com, no máximo, 6 anos. Cláudia Mota Martinez, assistente social, explica que o medo da criança mais velha se tornar problemática ao passar a conviver com uma nova família é um dos motivos apontados como barreira para a adoção tardia. “A criança mais velha carrega uma bagagem maior da família antiga. Na memória dela, os problemas vividos no passado continuam presentes”. Outra justificativa apresentada está no fato de muitas das pessoas interessadas, principalmente no caso de casais, serem jovens, com idade média de 30 anos, e sofrerem de infertilidade, o que aumenta o desejo de vivenciar todos os passos da criação de um bebê. “São mulheres que querem viver todas as fases da maternidade. Acompanhar o crescimento do filho. Com uma criança mais velha, isso não é possível”, disse Cláudia. A assistente social destacou também que, entre as crianças habilitadas para a adoção, há grupos de irmãos, o que dificulta ainda mais a adoção, pois, nessas situações, a determinação é evitar a separação. “São crianças que já sofreram muito na vida e tiveram grandes perdas. A separação dos irmãos seria mais uma dor. Queremos evitar esse sofrimento”, afirmou Cláudia. A etnia da criança também pesa na decisão, mas segundo a assistente social não interfere na escolha da mesma forma que a idade. “Não há muitos casais brancos que adotam negros, mas até nesses casos a preferência é por crianças menores”. COMO ADOTAR Para incentivar a adoção tardia, as assistentes sociais de Franca querem que um maior número de pessoas conheça como funciona esse procedimento. Cláudia diz que qualquer pessoa maior de 21 anos, independente de estado civil, pode se candidatar para a adoção. É necessário, no entanto, que o interessado seja pelo menos 16 anos mais velho que a criança ou adolescente a ser adotado (confira no quadro acima as principais dúvidas sobre o assunto).

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