Com dois filhos pequenos (um de 7 anos e outro de 2 anos), a sapateira e empregada doméstica desempregada, Selma da Silva, 35, precisa de ajuda para colocar comida em casa. Na sexta-feira, a família almoçava arroz e alface e não sabia qual seria o cardápio do jantar. A última cesta básica, com arroz, feijão, carne e leite, que receberam em doação há 15 dias, havia acabado no início da semana. Desesperada, a mãe pede por um emprego para poder comprar alimentos e atender os desejos dos filhos.
Selma está sem emprego desde dezembro do ano passado, mas diz possuir registro em carteira nas duas profissões. Atualmente a única renda da casa, no Jardim Tropical II, é o salário de R$ 500 do marido João Carlos de Jesus, que trabalha como sapateiro. A família paga R$ 180 de aluguel, R$ 100 de água e energia e está com quatro contas de consumo vencidas. “O salário do meu marido é dividido e não tem dado para comprar comida. As crianças pedem por danone. É triste não poder atender, por isso quero trabalhar”, disse a mãe emocionada.
Na geladeira da família, garrafas d’água dividiam o espaço com uma abóbora e pés de alface. No armário da cozinha, somente um pacote de fubá e um litro de óleo ocupavam as prateleiras. “Ganhei uma lata de leite em pó, mas ela não deve durar muito tempo. Gasto um litro de leite por dia”. Entre as principais necessidades das crianças, estariam, além do leite, bolachas, pão e frutas. O arroz que a família tem, num pote ao lado da geladeira, também não dura mais que dois dias. “A gente tem vivido de doações. É um vizinho que ajuda, um parente ou a igreja”.
Se não bastasse a falta de comida, Selma e o marido também não conseguem comprar roupas e calçados para as crianças. Abner Eduardo Silva de Jesus, 7, o filho mais velho, tem somente dois pares de tênis para ir à escola. Um está apertado nos dedos e outro, rasgado. Abner calça 28. Recentemente, a cama do menino quebrou e ele tem dormido com o colchão no chão. “Meu marido queria colocar alguns tijolos embaixo, mas achamos perigoso. Como não temos dinheiro, usamos o estrado e o colchão em cima”. Para o filho menor, João Victor de Jesus, a mãe pede agasalhos para o frio.
Morando em uma pequena casa de fundos, à Rua Eric Pereira Carbone, 590, no Jardim Tropical II, a família aceita qualquer tipo de ajuda no que se refere a alimentação e roupa, mas o maior desejo de Selma é ter um emprego e poder ajudar no sustento da casa. “Toda ajuda é bem-vinda. Estamos comendo só verdura e legume. Mas com um emprego, deixaria meus filhos com uma cunhada e trabalharia para colocar comida em casa junto com o meu marido”, disse.
Selma já trabalhou como doméstica e em fábrica de calçados, como auxiliar de prancheamento.
Nos últimos meses, além do trabalho de sapateiro durante a semana, o pai tem recolhido papelão na rua e vendido picolés, tudo com o intuito de aumentar a renda familiar. Eles também disseram estar há mais de um ano na fila de espera para o Programa Bolsa Família e não recebe ajuda de programas assistenciais. “Estamos nos esforçando para dar de comer às crianças, mas não temos conseguido. Procuro emprego, mas está difícil encontrar. Eu gosto de trabalhar, eu sempre trabalhei, o que não quero é ver meus filhos pedindo as coisas e não ter como dar”, disse Selma, entre lágrimas.
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