Quem quiser ganhar, que esteja comigo


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CONFIANÇA - O prefeito Sidnei Rocha durante entrevista no restaurante do Grupo Corrêa Neves, na última terça-feira: mais de duas horas falando de tudo e de todos
CONFIANÇA - O prefeito Sidnei Rocha durante entrevista no restaurante do Grupo Corrêa Neves, na última terça-feira: mais de duas horas falando de tudo e de todos
<p>No meio da tarde de uma terça-feira, a reunião de pauta do Comércio (em que os editores escolhem quais serão as matérias publicadas no dia seguinte) foi interrompida pelo prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Sorridente, ele entrou e, sem nenhuma cerimônia, disparou: “É aqui que vocês confabulam contra mim?”.</p><p> Surpreendidos pela presença do tucano - que participaria do quadro “A música da minha vida”, no programa Rádio Cidade, de Everton Lima -, os editores caíram na gargalhada e, segundos depois, Sidnei começou a cantar Sentimental eu sou e uma seqüência de músicas melosas, acompanhado pela editora-chefe Joelma Ospedal, expert em músicas de gosto duvidoso.</p><p>O prefeito Sidnei Rocha é assim. Não tem medo de falar o que pensa, esteja onde estiver ou com quem estiver. O jeito caiu no gosto popular - as pesquisas de intenção de voto que o digam - e, como conseqüência, criou muitos desafetos.</p><p> Naquela terça-feira, o prefeito deixou bem claro com qual dos lados está mais preocupado. Em um dia de evidente bom humor, participou da programação da Difusora, ao vivo, e ainda concedeu uma entrevista de mais de duas horas. Nela, falou de tudo e de todos. O único assunto que ficou de fora foi a Câmara Municipal, mais por culpa dos entrevistadores - que tentaram abarcar a maior quantidade de assuntos, mas acabaram por deixar um tema tão importante de fora - que do prefeito, já que, entre um charuto e outro, em uma das mesas do restaurante do Grupo Corrêa Neves, parecia não estar preocupado com a hora. </p><p>Confirmou que é candidato sim à reeleição, que entra na briga para ganhar, conforme noticiado com exclusividade pelo Comércio na quinta-feira (o trecho é republicado hoje). Disse que nunca governou a quatro mãos, como o vice Ary Pedro Balieiro (PSB) chegou a dizer em uma entrevista para a TV no início do governo. “Olha, administração a quatro mãos não existe, né?”. Lembrou sua passagem pela Vasp e como foi o impacto da volta. Falou que não tem como ajudar a Santa Casa e avisou que não vai negociar cargos com os partidos que possam se aliar a ele. “Quem quiser ganhar a eleição que esteja comigo”.</p><p> </p><p><strong>Comércio da Franca - O senhor cantou a música Sentimental eu sou, mas a imagem que se faz do homem forte não é tão sentimental assim. O senhor se considera um homem sentimental?<br />Sidnei Rocha -</strong> Imagem é uma coisa que é criada. Ou você contribui para criar ou as pessoas criam de você. Em termos de imagens, não é 100% você quem cria. Na verdade, o homem Sidnei pouca gente conhece, mas eu sou uma pessoa que... tenho, óbvio... sou muito sensível. Aliás eu até costumo dizer o seguinte: “a pessoa é agressiva porque é muito sensível”. Às vezes eu sou agressivo porque eu sou muito sensível. Não é verdade? Eu costumo dizer que a gente não tem domínio sobre a imagem pública, só sobre a imagem pessoal. Mas nos meus momentos sozinho, no rancho, com a Diva, eu ponho minhas músicas, escuto, tomo cerveja. Tenho uma vida normal, comum. A Diva não gosta quanto ponho Altemar Dutra, mas eu falo pra ela ir assistir televisão. No rancho eu tenho várias caixas de som e cada lugar tem um volume, que é pra não incomodar. Eu tenho o meu canto, ponho som na caixa que eu estou perto e fico escutando. Mas sou sentimental sim. Todos nós somos. Eu também.<br /><strong></strong></p><p><strong>Comércio - Mudando de assunto, quais são seus preparativos para as eleições 2008?<br />Sidnei -</strong> Preparativo meu, não tem nenhum. Primeiro, está longe. Segundo, a gente não pode descuidar da administração. (...) Não tem pressa. Pressa é até a convenção. Tá valendo. Convenção é no fim de junho. <br /></p><p><strong>Comércio - O senhor decidiu que quer o apoio do partido para ser candidato? <br />Sidnei -</strong> Qual partido? Qual deles?<br /></p><p><strong>Comércio - O seu...<br />Sidnei -</strong> PSDB? Eu já tenho o apoio decidido do PSDB faz tempo. Depende só da minha vontade.<br /></p><p><strong>Comércio - Qual é a sua vontade?<br />Sidnei -</strong> A minha vontade é... eu estou estudando, para ser ou não ser. Talvez eu seja. Entendeu? Eu quero conversar primeiro. Política é a arte de conversar também. Política tem que ter muita conversa. Que é outra paciência que vocês não conhecem que eu tenho. Conversar de política. <br /></p><p><strong>Comércio - O que o faria não ser candidato?<br />Sidnei - </strong>Ah... Nada... Humm... Nada... Não tem nada que, que poderia tirar a minha vontade. A não ser que fosse uma decepção muito, muito, muito, muito grande. Porque o trabalho foi muito difícil. Então você construir isso que nós construímos em quatro anos você se apega um pouco a isso. Não foi fácil não. Foi uma das missões mais difíceis que eu enfrentei na minha vida. Foram esses quatro anos. Sem choro, que eu não sou de chorar. Eu gosto mais de enfrentar a guerra. Eu sou da guerra. (...) Tudo me motiva para ser candidato. Eu não quero dizer sou candidato porque precisa conversar. A minha família não interfere. Nunca ninguém da minha família disse “não vai, não mexe, tal”. Então eu não tenho problemas.<br /></p><p><strong>Comércio - Se a sua família te apóia, o partido te apóia e não há nada que impeça o senhor de ser candidato. Falta conversar com quem?<br />Sidnei -</strong> Conversa política com companheiros. Eu tenho uma equipe muito boa. Eu não conversei com eles ainda sobre a disposição de cada um. Porque eu sozinho não vou resolver tudo. Preciso de uma equipe. Essa equipe precisa estar disposta. Partidos políticos parceiros... todos querem conversar. A conversa política toma muito tempo. Eu tenho uma razão para ter marcado o final de maio, mais próximo das convenções. Porque daí... a conversa política é demorada e como eu tenho um expediente político muito pesado, por isso que eu marquei para mais perto. Aí diminui o tamanho das conversas políticas. <br /></p><p><strong>Comércio - E o espaço para concessões?<br />Sidnei - </strong>Também (diz de bate-pronto e logo segue em frente). Eu... Eu... Eu... Eu fico lendo no jornal: vão se reunir sete partidos políticos, dez partidos políticos. No dia seguinte eu corro para ver o resultado. Qual o resultado? Não resolveram nada. Política é um pouco assim. Então eu quero tentar mais objetividade na hora que for conversar para tomarmos decisões mais rápidas sobre o posicionamento de cada um. O que que cada um vai fazer. <br /></p><p><strong>Comércio - Se o senhor quer objetividade, o senhor não vai até uma reunião com o partido sem saber se é ou não candidato...<br />Sidnei -</strong> Primeiro você diz: “vocês gostariam que eu fosse?” Aí eles resolvem se manifestar. <br /></p><p><strong>Comércio - Mas o partido já se manifestou sobre o apoio ao senhor.<br />Sidnei - </strong>O meu sim. O meu sim.<br /></p><p><strong>Comércio - Então se eles decidirem que o senhor será candidato, o senhor será candidato?<br />Sidnei -</strong> Não. Não, necessariamente. Caminha para isso. Agora eu vou conversar com os partidos para ver se eles querem se aliar. Acho que... está a caminho sim. Vocês querem que eu diga: “vou ser candidato”. Eu não posso falar. Eu já falei que tudo me motiva...<br /></p><p><strong>Comércio - O senhor quer ser candidato?<br />Sidnei - </strong>Quero. Quero. Tudo me motiva... (risos). Até porque não dá para segurar mais.<br /><br /><strong>Comércio - Na primeira vez que o senhor governou Franca, o País era outro. O Brasil vivia a redemocratização, a inflação era altíssima, o senhor ainda pegou o final da gestão do presidente Figueiredo. Agora, terminando o quarto ano de governo em um outro modelo de Estado, que avaliação o senhor faz do governo Gilmar Dominici? O senhor acha que ele foi tão ruim, quanto imaginava como radialista? Ou realmente está mais difícil governar?<br />Sidnei -</strong> Lá vem você com o Gilmar, hein? Primeiro é importante dizer o seguinte. Não é muito parecido. Porque você tinha a transição do Plano Real. Ele pegou um começo ainda muito tumultuado. A bem da verdade, para definitivamente ficar uma posição minha... Eu já dei essa declaração uma vez. Eu não tenho nada contra o Gilmar. Eu acho um bom moço. No começo da administração dele, ele ia muito na rádio conversar comigo. Eu dizia “Gilmar não me parece o melhor caminho, esse que você está tomando. Você precisa ter gente melhor com você. Esse negócio de muita reunião...” Lugar de discutir é no Legislativo. O Executivo, como o nome diz, é para executar e resolver. E o PT tem muito isso de discutir demais. Eu acho que o Gilmar foi mais vítima do PT, do que o PT dele. Ele se viu envolvido com aquele mundo de discussão e muita conversa, conversa, conversa... No fim foi se perdendo. Como ele mesmo disse, na segunda-feira, em Brasília. “Eu dei azar com o secretário de Finanças, eu não consegui acertar um que conseguisse resolver o problema”. Na verdade, ele teve um que começou a resolver, sim, o Luiz Cruz, mas não sei o que aconteceu que acabou não dando certo. Ainda dei exemplo para o Gilmar: o Lula governa sem o partido. O Lula criou um sistema de governo e está tendo resultado. <br />Eu acho que é isso. Eu não diria que o Gilmar é um incompetente. Eu acho que ele politicamente é muito competente. Tem um bom discurso, sabe se posicionar bem. Mas eu acho que ele estava num grupo que não tinha a visão gerencial de um processo executivo. Pode ser isso. <br /></p><p><strong>Comércio - Vamos esquecer o Gilmar. Comparando seus dois períodos na prefeitura de Franca, está mais difícil ser Prefeito hoje? Tinha mais liberdade um prefeito no início dos anos 80?<br />Sidnei - </strong>Está mais difícil. A burocaria é brutal. Só pra ter idéia, um auditor em início de carreira do Tribunal de Contas vem aqui e diz “isso pode, isso não pode”. Ficou muito burocratizado. Eu até brinco muito: fizeram leis, leis, leis, para que os políticos não roubassem, mas não resolveu nada, porque aumentou a burocracia e os políticos continuam roubando. É uma coisa fantástica. Mas hoje tem mais recursos. Eu fazendo o mesmo gerenciamento que fiz no passado. A única coisa que muda é um pouco de experiência que tenho. Mas tudo que fiz estou fazendo no presente e estamos conseguindo mais resultado. Quer dizer que, apesar da arrecadação de Franca não ser alta, estamos conseguindo fazer mais do que na outra vez. Então significa que melhorou a arrecadação em relação há vinte anos, mas piorou a burocracia. Por exemplo, os canais que eu precisava ter concluído no ano passado. Eu abri licitações, empresas entram e criam problemas. Fiquei sabendo que tem uma empresa que entra no processo só para atrapalhar minhas obras. Só que fizeram bobagens. Aí é mais uma bobagem que fizeram meus adversários políticos. Agora vão sair as grandes obras, na boca das eleições. Aquelas que eu anunciei tantas vezes, que não saíram porque havia recursos no Tribunal de Contas... Agora vão sair todas. Não é por causa de eleição. É porque tinham que estar prontas no ano passado, mas houve recursos. Isso é tudo voto. R$ 10 milhões em obras de canais, agora em seguida. <br /></p><p><strong>Comércio - Na sua equipe, quem se destacou para ajudar a solucionar os problemas?<br />Sidnei -</strong> Olha... Eu não gostaria de citar, porque todos... todos brigaram com o mesmo objetivo. Alguns estão em secretarias muito fortes, se destacam mais naturalmente, outros em menores, outros em secretarias mais complicadas, outros em secretarias mais simples. Mas o grupo de uma forma geral foi homogêneo, você não pode dizer “olha esse, foi tão ruim que destoou do outro”.  <br /></p><p><strong>Comércio - O senhor falou que tem uma equipe muito homogênea, mas ela foi alvo de alguns escândalos... O senhor não acha que errou na escolha de um ou de outro?<br />Sidnei -</strong> ... Não... Eu não concordo com você... Escândalo está na sua boca. Na verdade houve falhas. Escândalo é quando alguém rouba... quando, alguém, fica confirmado que meteram a mão na Prefeitura. Isso é conceitual. Não houve escândalo. Houve possíveis falhas... e para que não houvesse exploração política, eu parei o processo. E infelizmente, infelizmente houve uma repercussão muito forte. Mas eu não podia deixar correr, porque havia suspeita de possíveis irregularidades. E lamentavelmente aconteceu de ter uma repercussão muito maior do que eu esperava. Na verdade eu fui pego de “calças curtas”, como se diz. A pessoa envolvida é um funcionário de carreira antigo, gente boa, conhece. Talvez tenha sofrido influência de alguém... próximo à administração ou nas imediações... sei lá o quê... Não sei... eu, eu tenho isso como falhas que repercutiram muito. <br /></p><p><strong>Comércio - Sua motivação inicial era reconstruir a cidade. Para o segundo mandato, o que move a vontade de querer ser prefeito?<br />Sidnei -</strong> Continuar administrando bem, claro. Este é o primeiro item. O primeiro mandato, foi doentia a minha vontade de reconstruir a cidade, de melhorar o astral da cidade. Ainda hoje eu pedi para que criassem um sistema para divulgar as coisas boas de Franca um pouco mais. Por que lá em Brasília, ontem, todo mundo que eu conversa falava assim: “a crise do sapato ainda está muito forte?” Eu dizia que não tem crise, estamos com 30 mil sapateiros e é o que a cidade sempre teve. Então o processo administrativo, o gerenciamento forte, duro, continuará. Mas eu acho que Franca precisa abrir espaços para mais lideranças políticas. Acho que faltam novas opções de estilos na política local. A minha grande missão futura seria talvez tentar encontrar pessoas que tenham a visão gerencial que eu tenho. Se a minha visão do Executivo tem que ser gerencial, de resultados, é evidente que vou procurar e promover pessoas com esse perfil. Não uma pessoa, várias. Para que lá na frente a cidade tenha opções para prefeito, vereador, para o que for.<br /></p><p><strong>Comércio - Quase sempre a referência que o senhor faz ao período da Vasp é que deixou uma marca, foi duro. Que lições do período no comando da Vasp vieram com esse executivo Sidnei Rocha? A Prefeitura tinha mil funcionários na época e o senhor foi para uma empresa com mais de 10 mil. O que é administrar uma empresa desse tamanho?<br />Sidnei - </strong>É uma gigante, né. Você tinha uma empresa que naquele tempo, parece que eram 21 Estados. A minha verba de publicidade, por exemplo, era do tamanho ou maior que o orçamento de Franca. Só a verba de publicidade. Em cada uma das capitais, tinha uma empresa. Nos tínhamos as bases e a central em São Paulo, no aeroporto de Congonhas. Isso é uma experiência fantástica. Porque, como você bem disse, tínhamos uma Prefeitura com 1.340 funcionários na outra administração. Eu recebi agora com 3.500. Então não me assustei, porque quem já dirigiu uma empresa com 10 mil funcionários e esparramada, uma com 3.500 esparramada também, mas num espaço muito menor... Mas o grande problema da Prefeitura é isso... você tem que entender um pouco de engenharia, de economia, de tudo, porque ela atua em todos os setores da comunidade. A Vasp era um pouco assim também. Tinha muita coisa, muita diversificação. Eu não lamentei ter ido pra Vasp. Eu lamento a não compreensão do meu gesto. Eu paguei um preço que acho que eu não deveria pagar. Só isso. O resto foi fantástico. Tudo que vivi lá foi grande demais, requeria decisões a cada minuto. Decisões para o Brasil inteiro. Então, você que passa por uma empresa dessas durante dois anos, é um aprendizado sensacional. Porque além da diversificação, do emaranhado de coisas, você tem que tomar decisões envolvendo milhões e milhões... Então isso fez com que eu enxergasse a Prefeitura de Franca não do tamanho que eu enxergava da outra vez, mas sim com muito mais tranqüilidade para administrar. Eu tive muito mais confiança de tudo aquilo que eu devia fazer agora. Eu acho que fui um prefeito menos agressivo e mais confiante no resultado que a gente podia conseguir. <br /></p><p><strong>Comércio - Naquela época o senhor deu uma entrevista dizendo que a cidade o havia abandonado. Hoje as pesquisas mostram que o senhor conta com o apoio da maioria da população. O senhor acha que a cidade se redimiu? <br />Sidnei -</strong> Eu acho o seguinte: acho que a cidade está comigo. Eu sinto nas ruas o carinho das pessoas. É uma das coisas que me trazem alegria. Porque você trabalha para ter resultados. Nem sempre você está atrás de dinheiro. Você trabalha muitas vezes pra ter satisfação pessoal do resultado. Eu sinto que a cidade entendeu isso. Nesse momento, é importante que a gente aproveite para mudar a mentalidade. No fim do ano passado eu aproveitei isso para mostrar uma Franca melhor situada do que todos nós sempre achávamos, uma Franca mais progressista, mais dinâmica, mais moderna. <br /></p><p><strong>Comércio - O senhor disse também que a cidade é pessimista...<br />Sidnei - </strong>Esse foi o começo da campanha. Quando percebi uma aceitação ao meu estilo, que a cidade começou a reagir positivamente ao meu estilo... então... como esse negativismo arraigado era algo que sempre me preocupou, eu aproveitei o momento pra dizer “agora é o momento pra dar uma quebrada nesse eterno discurso de crise”. Foi isso que eu fiz. Usei o momento estratégico para tentar fazer uma cidade mais otimista, mais alegre, mais confiante. E isso é bom. Só é bom para a cidade. Muitas vezes o cidadão até tem dinheiro para investir, mas todo mundo fala em crise. Daí ele deixa o dinheiro no cofre. Mas é o investimento que traz riquesa para todo mundo. <br /></p><p><strong>Comércio - Como o senhor analisa o cenário para as eleições que começa a se desenhar agora? <br />Sidnei -</strong> É um cenário normal. Época de eleição é assim mesmo. Os partidos se reúnem, fazem planos, projetos, querem negociar cargos. Isso é em todo lugar. Hoje me ligou um prefeito amigo meu dizendo que um partido está criando problema e um secretário está dificultando o trabalho. Daí eu disse “não tem outro?”. Se está pedindo de mais, não ponha. <br /></p><p><strong>Comércio - Quem pedir secretaria para você, leva?<br />Sidnei -</strong> Não.<br /></p><p><strong>Comércio - Quem pode pedir alguma coisa?<br />Sidnei -</strong> Ninguém... todo mundo pode participar do processo e depois, se você for eleito, pelos quadros dos partidos, você escolhe as pessoas adequadas, com o perfil adequado para cada função. Essa negociação de loteamento nunca se mostrou positiva em nenhum governo. Haja vista o governo Lula. Ele foi negociando, eram 15 ministérios, hoje tem 40. É um saco sem fundo. Então os partidos políticos podem saber uma coisa: não haverá negociação de cargos. Haverá discussão de ideais, de propostas para Franca do futuro. Se a gente ganhar a eleição, dentro dos quadros dos partidos, você vai ver algumas pessoas que te interessam. E eu já tenho uma equipe formada. Se eu ganhar, não vou trocar todo mundo. Eu não sou louco. Quer dizer, tenho uma equipe funcionando e serão poucos cargos disponíveis para negociações políticas. Não fiz quando precisava e agora vou fazer menos ainda. <br /></p><p><strong>Comércio - Com Ary, sem Ary ou tanto faz?<br />Sidnei -</strong> (silêncio) Olha... eu sou um homem de desafios... Eu, quando busco, busco com, junto, sem... então... o futuro político, na verdade, quando eu tomar uma decisão e se essa decisão for ser candidato mesmo, eu vou sair pra ganhar a eleição. E quem quiser ganhar a eleição que esteja comigo. Eu falei isso há quatro anos e muitos duvidaram. E agora nós vamos ganhar as eleições de novo e, quem quiser ganhar a eleição, que esteja comigo. <br /></p><p><strong>Comércio - É correta a afirmação que o prefeito e o vice estão menos próximos do que estavam no início do governo?<br />Sidnei - </strong>Depois daquela declaração que ele iria ser candidato, é evidente. Até porque é a única versão que eu tenho. Ele não desmentiu, nem conversou comigo. Eu li que ele iria ser candidato. A informação que eu tenho é essa. Então, como não foi desmentido, pra mim está prevalecendo a notícia que ele vai ser. <br /></p><p><strong>Comércio - No começo do mandato, ele disse que seria uma administração a quatro mãos. E agora ele disse que não tem medo de sair candidato sozinho. O que aconteceu no meio do tempo?<br />Sidnei -</strong> Olha, administração a quatro mãos não existe. Eu ofereci ao Ary, pedi a ele o seguinte: “escolha uma secretaria para você”. Ele é uma pessoa competente, poderia ser secretário de qualquer área. Ele disse que não queria nenhuma secretaria e que iria me ajudar. Eu disse “está ótimo”. Escolhi o secretariado e tocamos o barco. Quer dizer... É isso. Eu nunca falei que ia governar a quatro mãos... Isso é declaração dele. Eu assisti na televisão um dia ele falando isso. Eu não falei nada. Mas veja bem, não dá para fazer um acordo político que vai governar a quatro mãos. Até porque a administração perde a identidade totalmente com quatro mãos. Tem que ser duas. <br /></p><p><strong>Comércio - Ary Balieiro ou Joaquim Ribeiro?<br />Sidnei -</strong> Hum... Aí você tá fazendo leilão... (risos)<br /></p><p><strong>Comércio - Em uma de suas últimas declarações, o vice-prefeito disse que estava com dificuldades para falar com o senhor, que teria montado um gabinete no Parque “Fernando Costa”. O que está acontecendo?<br />Sidnei -</strong> A história é a seguinte: a torre do parque tinha pombos mortos, fezes... Quando eu abri a porta, o mau cheiro era insuportável e eu fiquei três dias coçando. Foi uma coisa de louco. Para que aquilo ficasse bem arrumado, limpinho, fizessem o forro, tapassem as entradas para pombos, então montei o gabinete do prefeito no parque até a Expoagro. Foi só isso. Um boato, agora porque o Ary disse isso eu não sei. Na verdade eu preguei uma peça no pessoal que estava arrumando e ficou uma beleza. Eles pensavam que no lugar seria o gabinete do prefeito e, quando ficou pronto, eu disse que seria a sala da imprensa. Foi isso. Agora, declaração cada um dá. Dificuldade de falar comigo não é verdade. Todas as vezes que o doutor Ary quis falar comigo ele falou.</p><p><strong>Comércio - O presidente da Francana diz que não consegue falar com o senhor desde março. É verdade?<br />Sidnei -</strong> Mas em todos os jogos da Francana eu fui, estava lá também. Como? Aí, para a Francana eu não marco mais audiência. Primeiro é o problema da verba que ficou engastalhada. Porque a verba é mensal, você tem que receber todo mês e prestar contas todo mês. Aí é com a Feac e com o jurídico, não é comigo. Sobre o patrimônio, também é com o jurídico. Porque eu pedi o seguinte, a Francana tem que ficar zerada de dívidas. Se tiver uma dívida não dá para fazer o negócio porque eu não quero o patrimônio da Francana para a Prefeitura. Eu quero acertar a vida dela para começar uma vida nova e ter uma estrutura para subir ano a ano. Agora eu apoiei e o time não classificou na terceira divisão, nem entre os oito... Eu já comecei a olhar aquilo sem muito agrado. Quando negociou com a Papa já comprometeu, dos R$ 50 mil que a Prefeitura ia pagar todo mês, R$ 25 mil. Então já começou furado. Ou eu não fui muito claro ou o pessoal não fez questão de entender. Só faremos o negócio deixando a Francana zero de dívida. Para que os R$ 50 mil que vão para o time serem usados na montagem da estrutura para o ano que vem. Então eu recuei e o jurídico está lá discutindo. O jurídico está achando fórmulas para ver se a Francana consegue receber algum dinheiro dos R$ 200 mil que deveria receber o ano inteiro. Não é algo que o Poder Público possa ficar tratando. O Poder Público tem imensas limitações até para ajudar um time de futebol profissional. Esses dias o Hélio Rubens do basquete foi até o gabinete dizendo que como divulgava Franca precisava de mais dinheiro. Eu disse: “então tira o nome de Franca”. Porque tudo é aqui na prefeitura. O pessoal precisa entender que toda a cidade deve participar desse processo. Não quando fica apertado, joga para cima da Prefeitura. E foi bom eu começar a falar isso porque a própria imprensa, sempre que reclamava, dizia que a culpa era da Prefeitura. A culpa não é da Prefeitura. Estamos ajudando e muito o esporte. A Feac tem três milhões de verba por ano para ajudar arte, cultura e esporte. Então o pessoal precisa se conscientizar como fez o futebol feminino, que vai muito bem. O atletismo vai muito bem. Recebe a verba todo mês e presta contas. Faz a coisa como deve ser feita, com organização. Isso é dinheiro público, tem que ser feito conforme as normas e não segundo o que cada um pensa. <br /></p><p><strong>Comércio - Agora, falando de Santa Casa. A administração do hospital está nas mãos do Estado e da própria fundação, mas os problemas acabam atingindo a população, que é a maior preocupação do senhor. O senhor pretende fazer alguma coisa?<br />Sidnei -</strong> Eu não tenho como. Eu tinha quando a alta complexidade, internação, era com a Prefeitura. Ninguém ficava sem ser internado. Internava e a Prefeitura pagava o que era a mais. Mas como eu entreguei todo o dinheiro para o Estado, não tenho como entrar nisso agora mais. Lamento que Santa Casa e Estado não estejam se entendendo. Eu fazia o que era possível. Pagava e a coisa fluía. Como fiquei com a faca no pescoço para abrir mão de R$ 35 milhões que vinham para a prefeitura de verba SUS para passar para a Santa Casa, para que o governo do Estado pudesse ajudar a Santa Casa, eu fiz na certeza de que eles se entenderiam.<br /></p><p><strong>Comércio - O que não superou as expectativas nesses três anos e meio de governo e o que fará diferente se vencer as eleições de outubro?<br />Sidnei -</strong> Vamos continuar administrando como estamos. Não vou fazer promessas, como nunca fiz. Não vou criar idéias mirabolantes para tentar levar o povo na conversa. O que eu vou dizer para a população em sendo candidato, é que nós vamos continuar trabalhando, maximizando os recursos, cortando gastos supérfluos, enfim, fazer o que estamos fazendo. Veja bem... parece-me que a cidade aceitou a linha que adotamos. Nós vamos continuar com essa linha. Eu não sou o tipo de administrador que acredita em milagre. Acredito em trabalho, esforço e dedicação. E vamos continuar trabalhando nessa linha. Sem milagres, mas na busca incessante por resultados. <br /></p><p><strong>Comércio - Em qual setor o senhor deve investir mais?<br />Sidnei -</strong> Já estamos investindo, por exemplo, nessa área de creches. Eu acho importante a gente continuar fazendo duas ou três creches por ano, para dar apoio para essa meninada que às vezes fica sozinha em casa. Essa é uma área em que a gente vai continuar se esforçando muito melhorando a educação. Já deu uma melhorada, mas vamos continuar melhorando. <br /></p><p><strong>Comércio - Não tem nenhuma grande promessa?<br />Sidnei -</strong> Nada... Nenhuma promessa... nenhuma... nem pequinininha assim. (risos)<br /></p><p><strong>Comércio - Num possível segundo mandato, quem o senhor vai trabalhar para sucedê-lo em 2012?<br />Sidnei -</strong> Como segundo mandato? Eu não sou nem candidato ainda...<br /></p><p><strong>Comércio - Alguém do governo tem características que o agradem para uma próxima eleição?<br />Sidnei -</strong> Todos os meus secretários têm características. Agora, o processo político, ele é diferente do processo técnico. Você pode ser um grande técnico e não ter uma veia política. A pessoa tem que ter a veia técnica e a veia política. Eu, por exemplo, fui um radialista mais ou menos, e depois surgiu a veia política. Eu nem sabia que podia ser radialista, porque eu trabalhava no jornal e nunca tinha entrado numa rádio, mas precisava ganhar dinheiro e saiu um concurso de rádio e eu fui lá fazer. É a coisa que eu mais gosto de fazer. Eu amo rádio. Em segundo lugar agora, que eu também não gostava é a política. Depois da Diva evidentemente... (risos). Das coisas que amo, em segundo lugar está o rádio, em terceiro a política. Em primeiro a minha família. Então eu acho assim, tudo é circunstancial. Você espera e vai vendo, observando o comportamento, o gerenciamento, a veia política, você ajuda alguns a ter mais equilíbrio político, mais visão política. O que eu fiz no rádio durante 43 anos, que foi criar gente nova, dar oportunidade, ensinar, orientar, eu estou fazendo um pouco na política, mas eu quero fazer mais. Você ensina. Se a pessoa quer seguir... bem. Se não quer é problema dela. Você não vai pegar e pôr a coleira... <br /></p><p><strong>Comércio - Quem da sua equipe tem essa veia política?<br />Sidnei -</strong> Todos.<br /></p><p><strong>Comércio - Um nome que o senhor considere um bom político daqui para frente?<br />Sidnei -</strong> Minha preocupação não é dar um nome. É esquecer um. (risos).<br /></p><p><strong>Comércio - O senhor já disse que não recolhe INSS para não correr o risco de parar de trabalhar e que quer morrer trabalhando. Numa hipótese de acontecer como planeja, vencer a eleição e governar por mais quatro anos. Depois, por imposição legal, não pode mais ser candidato. Volta para a Hertz, para o microfone, ainda tem ânimo para um programa diário, ou volta só pra gerir? <br />Sidnei -</strong> Essa foi a pergunta mais difícil para responder. A mais difícil de todas. Não sei como vai ser... não sei. Programa diário não, talvez aqueles pequenos comentários que eu fazia, talvez eu fizesse isso. Eu não sei. Olha... honestamente eu não sei. Até porque eu não sei se vou estar vivo lá. Essa pergunta foi a mais difícil. O rádio é o maior prazer. Tanto é que vocês me entrevistaram 35 minutos, ao vivo, e parecia que eu tinha acabado de sentar. A próxima entrevista arruma um programa de duas horas (risos). Mas um dia a gente tem que aposentar né... Talvez eu me aposente. Mas já que hoje eu falei de música no programa, “deixa a vida me levar... vida leva eu...” (risos).  <br /></p>

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