O setor industrial de Franca registrou, entre janeiro e abril deste ano, o maior saldo de emprego dos últimos dez anos. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontam que o saldo de vagas foi de 6.765 novos postos, 3,6% superior ao registrado em 2004, no mesmo período, que chegou a 6.526. Naquele ano, o setor calçadista vivia um boom nas exportações de calçados por causa do preço do dólar, que chegou próximo a R$ 4. Na época, a cidade foi considerada a “meca” do emprego e foi alvo de notícias em todo o País.
O saldo é obtido a partir do número total de contratações menos as demissões. Ao todo, foram abertas 12.969 novas vagas no primeiro quadrimestre de 2008, contra 6.204 rescisões. Se comparado ao ano passado, o desempenho do emprego é ainda melhor que na comparação a 2004. No mesmo período de 2007 foram geradas 11.921 vagas - 1.048 vagas a menos que neste ano - e realizadas 5.923 demissões. O saldo então ficou em 5.998, em torno de 9% inferior que neste ano.
O motivo da elevação no índice do número de empregos divide opiniões. Para o Sindicato das Indústrias Calçadistas de Franca, o motivo seria o aquecimento do mercado interno. “Eu atribuiria isso ao crescimento da produção, que está se recuperando ano a ano”, disse o presidente da entidade, Jorge Donadelli.
Já o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Paulo Afonso Ribeiro, afirmou o principal fator seria as empresas estarem registrando trabalhadores que antes atuavam no mercado informal em razão da intensificação das fiscalizações. “Esta questão da regularização é um dos fatores que devem ser levados em consideração para a gente poder explicar estes números”.
Na análise do subdelegado do Ministério do Trabalho, Jamil Leonardi, os dois fatores são relevantes. “A economia melhorou, mas nós também estamos aumentando a fiscalização, com metas traçadas pelo próprio governo federal”, disse. Em dois anos, segundo ele, o número de fiscais passou de seis para 11.
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