Vem de Brasília a notícia de que a CPMF vai ressurgir. A nova proposta foi articulada nos gabinetes e corredores do Congresso Nacional da capital do País. Traz consigo uma marca registrada de nossa política – a incoerência.
Sob o argumento de que a saúde pública precisa de mais recursos justifica-se mais uma vez a criação do mais perverso imposto em cascata que já se teve notícia.
Governistas articulam-se inclusive com apoio de políticos da pseudo-oposição. Fazem isso com a naturalidade que a natureza política exige.
Isso me fez lembrar da estória do sapo e do escorpião.
Nela há um escorpião à beira de um rio largo e de forte correnteza. Aproxima-se então um sapo com o qual se põe a conversar o escorpião. Argumenta este último sobre sua urgente necessidade de atravessar o rio e sua evidente incapacidade de fazê-lo. Pede então ajuda ao sapo, para que o coloque sobre seu dorso, porque o sabe capaz de realizar tal proeza sem muito esforço.
O sapo, conhecedor da natureza do escorpião argumenta não ser ingênuo a tal ponto e que teme ser traído e atacado pelas costas. Astuto que é, o escorpião usa a lógica para explicar que tal traição seria impensável uma vez que prejudicaria a ambos, afinal de contas com a morte do sapo não teria ele nada a lucrar.
Convencido de que seu esforço seria mínimo diante de tamanha necessidade e urgência, o sapo aceita o desafio de transportar o escorpião até a outra margem. Já do outro lado, antes de apear do lombo do anfíbio, o escorpião crava seu veneno no pobre animal.
Sentindo a insuportável dor em suas veias e percebendo a morte iminente, suplica o sapo por uma explicação: “Por quê’? Por quê? Por quê?”. Satisfeito e realizado o escorpião então responde: “Porque sou um escorpião e essa é a minha natureza”.
Quando vejo comportamentos como esse em torno da reativação da CPMF me sinto um verdadeiro sapo. Afinal de contas, como cidadão, trabalhador, pagador de impostos e principalmente eleitor tenho a sensação que ajudei muitos políticos a atravessarem o rio. E para quê? Para descobrir que todos agem de acordo com a sua natureza.
E você, prezado leitor, quantas vezes já fez papel de sapo? E quantos escorpiões você conhece?
Alexandre Henrique Leonel
Farmacêutico e conselheiro do Comércio da Franca
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