Moradores descobrem a cidadania no Ângela Rosa


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Com força de vontade e empenho, um grupo de 30 pessoas ligadas ao Centro Comunitário do Jardim Ângela Rosa tem transformado a vida de crianças, adultos e idosos. Um trabalho que começou pequeno há quatro anos, cresceu e hoje atende, pelo menos, 300 pessoas dos Bairros Ângela Rosa, Santa Cruz e Scarabucci, em atividades que vão desde o lazer à distribuição de alimentos. Tudo de graça. O Centro Comunitário não fecha. Às segundas e quartas-feiras, oferece aulas de ginástica para mulheres, no período da noite. Mais de vinte participam. Nestes mesmos dias, há aula de capoeira, com mais de 20 alunos. Já às terças-feiras, é dia de dança de rua, com 25 pessoas. E, aos sábados à tarde, crianças de 6 a 13 anos aprendem a dançar axé, breack e jazz. Os professores são todos voluntários. Ainda quando o assunto é diversão ou distração, os idosos não ficam de fora das atividades. Às sextas-feiras, das 22 horas às 3 da manhã, e aos domingos, das 18 às 22 horas, eles dançam forró ao som de Zé Rasteiro. O evento acontece no salão da entidade e atrai mais de cem idosos. O entretenimento não é a única preocupação dos voluntários. Para ajudar as crianças com dificuldade de aprendizagem, eles montaram grupos de ensino para dar aulas de reforço no período contrário ao da escola. As aulas acontecem às terças e quintas-feiras e atendem mais de 15 crianças de 1ª a 4ª série do ensino fundamental. O trabalho do grupo não pára. Neste ano, o Centro Comunitário passou a distribuir sopa nas tardes de quarta-feira. Para preparar mais de cem litros do alimento, dez mulheres chegam cedo ao local. Os legumes que reforçam a sopa são doados por uma rede de supermercado. Os pães que acompanham o prato vêm de um empresário e, quando faltam ingredientes, a presidente da entidade, Afonsina Bueno Vilela, 44, vai atrás. “A gente sempre dá um jeito e consegue”. Na quarta-feira, a reportagem esteve no local no horário de distribuição da sopa. Às 17 horas, quando os portões se abriram, uma fila de pessoas com caldeirões nas mãos já estava formada do lado de fora. Lá dentro, na cozinha, o cheiro era bom. Dois caldeirões, de 50 litros cada, estavam cheios. Na varanda, uma grande mesa estava montada e muita gente comeu ali mesmo. A sopa era reforçada: macarrão, abóbora, batata-salsa e bastante tempero. Quem comeu aprovou: “É muito gostoso. Venho quase todas as quartas trazer meu filho para tomar a sopa. Ele adora”, disse a dona de casa Elizabete Barbosa. Elizabete não é a única. Após a saída da fábrica, muitos sapateiros param no local e aproveitam a refeição. “Ficamos aqui até as 19 horas esperando as pessoas”, conta Afonsina. Para a população, o trabalho da diretoria do Centro Comunitário mostra que algo da comunidade pode funcionar e transformar uma unidade esquecida num espaço de atividades diversas e gratuitas. A estudante Janaina Aparecida Souza, 22, é aluna das aulas de ginástica e, na quarta-feira, estava lá para tomar a sopa. Ela fez elogios ao trabalho do grupo. “O que eles fazem é muito bom. É algo que poucas pessoas se dispõem a fazer”.

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